Dilma prepara mudança pós-eleitoral

Presidente marca para terça-feira reunião em que acertará com Temer, pelo PMDB, e Rui Falcão, pelo PT, os ajustes nos ministérios

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h04

BRASÍLIA - A necessidade de ajustes na divisão de espaço na Esplanada dos Ministérios entre a base de sustentação do governo, após as eleições, começa a ser discutida na próxima terça-feira, 5 de novembro, em uma reunião no Palácio da Alvorada. O convite foi feito pela própria presidente Dilma Rousseff ao vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, e ao presidente do PT, Rui Falcão, que representam os dois maiores partidos da base.

Com o resultado do 2.º turno das eleições municipais, foi deflagrada a temporada de disputas por cargos em Brasília e a presidente Dilma sabe que precisará acomodar Gabriel Chalita, do PMDB, em uma pasta, e o PSD, de Gilberto Kassab, em outra. Mas a ideia da presidente, neste momento, é fazer o mínimo de movimentos e, talvez ainda em novembro, atender às demandas e evitar que as disputas contaminem votações importantes no Congresso.

Na segunda-feira, Dilma fez com Temer um balanço sobre as eleições. Ela está convencida de que o apoio de Gabriel Chalita no 2.º turno a Fernando Haddad foi "relevante" para assegurar a vitória ao PT e desbancar os tucanos da maior cidade do País. Os dois reconheceram que "a relação nunca foi tão estreita" entre PT e PMDB e comprovaram isso com o alto número de votos obtidos pelo PT e o grande número de prefeituras conquistadas pelo PMDB.

Nas primeiras negociações da terça-feira estarão presentes cinco integrantes de cada partido. No Planalto, há divergências sobre o timing destas modificações no primeiro escalão. Há quem ache melhor esperar a eleição das presidências e mesas da Câmara e do Senado, embora já exista acerto de que ambas serão comandadas pelo PMDB. Mas, na avaliação de outros, esperar até fevereiro não é o estilo da presidente. A ideia, então, seria fazer coisas pontuais, e mais rápidas, que poderiam ser concluídas no mês de dezembro.

No caso de Chalita, a opção mais cogitada, no momento, seria acomodá-lo no Ministério da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp. Mas o PMDB está sempre de olho também no Ministério das Cidades, pelo polpudo orçamento que administra, embora a presidente Dilma não tenha manifestado, em nenhum momento, desejo de tirar daquele posto Agnaldo Ribeiro, do PP. O PSD, por sua vez, também está em busca de um espaço na Esplanada dos Ministérios e considera Cidades a pasta "dos sonhos".

Integrantes do PSD, no entanto, lembram ainda que também gostariam do Ministério dos Transportes. O PSD não demonstrou entusiasmo em relação ao Ministério das Micro e Pequenas Empresas, sob a alegação de que já tem muita influência no Sebrae, além de a Pasta ainda estar em gestação no Congresso.

O fato é que o próprio Gilberto Kassab é que decidirá qual será o indicado para a Esplanada, representando o partido - e o nome do atual prefeito paulistano é o único que é unânime na legenda, que ainda discute sua fusão com o PP. Outros nomes possíveis para estrear o partido no governo federal seriam Guilherme Afif Domingos, Paulo Safady Simão e Kátia Abreu. Os dois últimos são próximos da presidente mas certamente enfrentariam problemas internos. O líder Guilherme Campos também é outro nome lembrado.

De qualquer forma, em todas as mudanças realizadas até agora a presidente da República já deixou claro que, mesmo que suas decisões desagradem a alas dos partidos, é ela quem escolhe os nomes e decide a hora.

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