Dilma pensa em 2º tempo da reforma sem o PSB

Com provável candidatura do governador Eduardo Campos, partido deixará pastas

DÉBORA BERGAMASCO, JOÃO VILLAVERDE/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2013 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff tem no radar mais uma minirreforma ministerial, desta vez para o segundo semestre, a fim de preencher as janelas que poderão ser deixadas pelo PSB caso o partido decida lançar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência em 2014 e rompa com o governo. Legendas da base aliada já se movimentam para emplacar indicações e assim aumentar seu quinhão.

O PSB ocupa hoje o comando do Ministério da Integração Nacional, da Secretaria Especial dos Portos, da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

A pasta da Integração, comandada por Fernando Bezerra Coelho, é uma das mais cobiçadas de toda a Esplanada por ser executora de obras e contar com orçamento de R$ 7,5 bilhões quase que exclusivamente para investimentos no Norte e Nordeste.

O partido presidido por Eduardo Campos tem também a Secretaria dos Portos, que ganhou musculatura nos últimos meses com a reforma empreendida pelo governo Dilma Rousseff no setor, por meio da Medida Provisória (MP) 595. Cabe à secretaria, comandada pelo ministro Leônidas Cristino (PSB), ligado ao governador do Ceará, Cid Gomes, coordenar a abertura dos portos à iniciativa privada e à gestão dos terminais públicos.

Finalmente, a Sudeco gerencia um fundo de financiamento para o Centro-Oeste - e, portanto, trabalha em coordenação com o Ministério de Integração Nacional - e a Chesf é uma empresa do gigante grupo estatal de energia Eletrobras.

A estratégia do Palácio do Planalto já foi percebida por caciques dos partidos da base mesmo sem ser efetivamente comunicada. Um dirigente do PMDB afirmou ao Estado que, com a porta fechada para ocupar o espaço de vice-presidente no lugar de Michel Temer (PMDB), resta a Eduardo Campos deixar a base, e, com isso os postos no governo. "Já sabemos que haverá uma janela em setembro, quando o PSB deixar o governo, então não há porque exigir mais espaço agora", admitiu o peemedebista.

O PMDB está na fase de "relembrar" a Dilma sobre o quanto seus quadros estão sendo fiéis ao governo dela, de insinuar que mais espaço à legenda poderia ser proveitoso para azeitar ainda mais a relação entre as duas legendas para a disputa de 2014.

Um outro líder peemedebista avaliou que sua agremiação é uma herdeira natural das vagas do PSB porque "se formou uma nova correlação de forças do PMDB no Senado". Essa fonte argumenta que hoje comissões caras ao governo federal, como a de Constituição e Justiça (CCJ), a de Relações Exteriores e a de Assuntos Sociais, são todas comandadas pelo PMDB. "E até agora não exigimos nenhum cargo", disse, dando sinais de que a fatura ainda será emitida.

A mesma lógica funciona para outros partidos da base que têm dado demonstrações de que podem migrar para a candidatura de Eduardo Campos em 2014, como é o caso do PDT, que hoje controla o Ministério do Trabalho. O jogo funciona também para o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, que deve receber o novo ministério da Micro e Pequena Empresa ainda neste mês, mas ainda não deixou claro se a indicação de Guilherme Afif Domingos (PSD) será suficiente para assegurar o apoio - e o tempo de TV do partido - para 2014.

O Planalto avalia que o PSB vai esticar a corda até, no máximo, setembro. Um prazo além disso poderia atrasar o plano de Campos de se tornar conhecido nacionalmente. O governador já está percorrendo escritórios dos maiores empresários do Brasil.

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