Dilma pede respeito a antecessor e considera denúncias 'lamentáveis'

Em Paris, presidente repudia o que chama de 'tentativas de destituir' Lula da consideração que tem entre a população

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h05

A presidente Dilma Rousseff comentou ontem à noite, em Paris, as denúncias feitas por Marcos Valério e reveladas pelo Estado sobre os vínculos entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o escândalo do mensalão. Em uma coletiva ao lado do chefe de Estado da França, François Hollande, Dilma taxou de "lamentável" o que definiu como tentativa de "destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem". Em solidariedade, o francês disse que Lula "é uma referência".

Dilma se manifestou sobre o tema quando foi indagada por jornalistas brasileiros ao término do encontro bilateral com Hollande. Em tom severo, a presidente pediu para responder antes do francês e reiterou sua "admiração, respeito e amizade pelo presidente Lula". "Eu repudio todas as tentativas, e esta não é a primeira vez, de destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem", afirmou, enumerando políticas de seu antecessor.

"Respeito porque o presidente Lula desenvolveu o País e é responsável pela distribuição de renda mais expressiva dos últimos anos. Respeito pelo que ele fez internacionalmente, pela sua extrema amizade pela África, por seu olhar para a América Latina e pelo estabelecimento de relações iguais com os países desenvolvidos do mundo."

Dilma disse ainda que não pretendia responder sobre o assunto no exterior, mas se mostrou instigada a fazê-lo em resposta às denúncias. "Eu não poderia deixar de assinalar que eu considero lamentável essas tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula", disse, reiterando: "Acho lamentável".

Ao término da declaração, Dilma foi aplaudida pelos demais membros do governo brasileiro, entre os quais os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa), Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Aurélio Garcia, que acompanhavam a entrevista.

Instantes depois, Hollande fez um adendo a outra resposta para reafirmar seu apreço ao brasileiro. "Sobre o presidente Lula, quero dizer que ele tem na França uma imagem considerável. É um homem que defendeu constantemente o princípio de Justiça e da igualdade, assegurando ao Brasil um desenvolvimento econômico absolutamente excepcional", argumentou, ressaltando: "Aqui o presidente Lula é visto como uma referência". Ao seu lado, Dilma agradeceu a manifestação: "Obrigado, senhor".

Desde que chegaram a Paris, na segunda-feira, Lula e Dilma se encontraram pelo menos duas vezes. O primeiro encontro aconteceu no início da tarde de segunda, quando ambos almoçaram juntos por cerca de uma hora e 40 minutos. O tema da reunião não foi divulgado nem pela Presidência, nem pelos assessores do Instituto Lula. Aos jornalistas, Mercadante disse, mais tarde, que "Lula é um guerreiro".

O segundo encontro aconteceu na tarde de ontem, no Fórum do Progresso Social, copromovido em Paris pelo Instituto Lula. No evento, o ex-presidente não se pronunciou. Dilma falou por mais de 30 minutos, mas se concentrou em temas econômicos e não fez nenhuma referência às denúncias de Valério. / A.N.

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