Dilma pede a Marta que entre na campanha

Presidente faz novo apelo, agora para que ajude Haddad a ganhar votos na periferia

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h04

Nove meses depois de pedir para a senadora Marta Suplicy desistir da disputa paulistana, a presidente Dilma Rousseff fez novo apelo à petista: quer a participação dela na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura. Dilma se encontrou com Marta ontem e na quarta-feira, no Palácio do Planalto. Nos próximos dias, a senadora vai acertar, em conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como será sua entrada em cena.

A intenção de Marta é gravar apenas mensagens para a propaganda política no rádio e na TV. Dilma, Lula e Haddad, porém, querem mais. Desejam que a ex-prefeita apresente o candidato na periferia. Tanto pesquisas do PT quanto as publicadas pela imprensa indicam que o concorrente do PRB, Celso Russomanno, cresceu nos redutos de Marta, em especial na zona leste.

A senadora queria disputar a Prefeitura, mas foi impedida por Lula, que disse ser preciso apostar em uma "cara nova". A porta-voz do recado foi a própria Dilma. Desde então, a senadora tem exposto sua mágoa. Ao Estado, confessou ter ficado "frustrada" com Lula. Depois, afirmou que Haddad teria de "gastar sola de sapato" na campanha.

Boicote. Em junho, Marta boicotou o ato de lançamento da candidatura de Haddad. Pouco antes, em maio, já desafiara Lula. "Ouvi dizer que temos algumas dificuldades. Todos têm dificuldades. Não basta o novo, temos que ter um programa novo nesta cidade", desabafou.

A 45 dias da eleição, o comando da campanha de Haddad está preocupado com a situação do candidato, que não deslanchou. Tanto no Ibope quanto no Datafolha, o petista segue abaixo dos 10%, enquanto Russomanno e o tucano José Serra estão em empate técnico, acima dos 25%.

Dilma decidiu aguardar até meados de setembro para decidir se grava mensagem de apoio a Haddad. Se a disputa estiver polarizada entre ele e Serra, a presidente aparecerá no programa pedindo votos para o petista. Caso contrário, não.

Nas duas conversas com Marta, Dilma disse não poder se indispor, neste momento, com os outros dois partidos da base aliada que têm candidatos à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Além do PRB, o PMDB, do vice Michel Temer, lançou candidato - Gabriel Chalita.

Foi com esse argumento que Dilma reforçou o apelo a Marta para ajudar Haddad. A senadora preferiu não comentar os encontros reservados no Planalto nem o que dirá a Lula. "Continuo no tempo de silenciar."

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