Dilma nega que escolha de Costa para diretoria da Petrobrás tenha sido política

Dilma nega que escolha de Costa para diretoria da Petrobrás tenha sido política

Presidente diz que ex-diretor era funcionário de carreira da estatal e reafirma que se soubesse de denúncias o teria demitido 'imediatamente'

CARLA ARAÚJO, Agência Estado

22 de setembro de 2014 | 09h17

São Paulo - A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, negou que a escolha do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, tenha sido por indicação política. "Paulo Roberto Costa não foi escolhido fora dos quadros da Petrobrás, ele tem 30 anos de Petrobrás. Antes de ir para a diretoria, ele fez uma carreira", disse, destacando passagens do executivo também no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, em entrevista exibida nesta segunda-feira, 22, pelo programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. A entrevista foi gravada no domingo, 21, em Brasília.

A presidente garantiu que se responsabiliza por suas escolhas e reforçou que o ex-diretor tinha credenciais para assumir o cargo. "O que eu escolhi é responsabilidade minha. (...) O senhor Paulo Roberto tinha credenciais para ser escolhido diretor", complementou a presidente.

Costa assumiu a diretoria de Abastecimento da Petrobrás em 2004, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A indicação do ex-diretor para o cargo contou com apoio de políticos do PP e PMDB. Ele deixou o cargo em 2012. Dilma já havia afirmado que demitiu o ex-diretor por falta "de afinidade". "Ele não era um pessoa que eu considerava afim com meu governo. Eu tirei o Paulo Roberto. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei porque eu não tinha afinidade nenhuma com ele", afirmou a presidente durante entrevista ao jornal O Globo no último dia 12. 

Dilma também repetiu não ter conhecimento dos crimes de corrupção praticados pelo ex-diretor. Em março deste ano, o ex-diretor foi preso durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro. Há duas semanas, em um depoimento à Justiça Federal, Costa teria delatado um esquema de pagamento de propinas a políticos envolvendo contratos da Petrobrás, segundo reportagem da revista Veja. "A descoberta que ele fez isso é uma surpresa", afirmou. "Se eu soubesse que ele era corrupto, ele estava imediatamente demitido", afirmou.

A presidente voltou a destacar que as investigações aconteceram porque o governo do PT deu autonomia à Polícia Federal. "Atos de corrupção não são praticados à luz do dia, têm que ser investigados", disse Dilma.

Segundo a candidata, quem descobriu os crimes de corrupção foi a PF, que é ligada ao Ministério da Justiça e integra o governo. "Antes do governo Lula, a PF não investigava tudo que vinha a cabeça. Hoje sai investigando doa a quem doer", disse. 

A pesidente voltou a dizer que é preciso investigar "não no sentido jornalístico", mas para que sejam produzidas provas. "As provas têm de ser sólidas para punir (os culpados). Se você não punir você está protegendo a corrupção", disse.

Ela garantiu ainda que as investigações envolvendo membros da empresa em um suposto esquema de corrupção na estatal não comprometem a produção de petróleo, nem o pré-sal. "Esse será um imenso fator de crescimento para o Brasil. A produção de petróleo é fundamental para o país", disse. "Toda essa investigação não compromete o ritmo de desenvolvimento (da empresa)."

Campanha eleitoral. A presidente rechaçou que esteja usando a "tática do medo" ao fazer críticas à candidata Marina Silva (PSB) e exibir em seus programas eleitorais peças que mostrem, por exemplo, pessoas ficando sem comida como consequência de algumas medidas propostas pela adversária. "Tudo que eu falo sobre a candidata Marina está no programa dela", afirmou. 

Dilma voltou a criticar a proposta de independência do Banco Central e afirmou que a redução do papel dos bancos públicos vai reduzir o financiamento de obras de infraestrutura e programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida. "O governo coloca subsídio entre 90% e 95% (no Minha Casa, Minha Vida). Passa isso para banco privado e nunca este País vai ver uma casa para os mais pobres", afirmou. 

Segundo a presidente, não basta dizer que quer reduzir o papel dos bancos públicos, "tem que explicar para quanto quer reduzir". "Ela tem um alinhamento claro, ela tem uma posição favorável aos bancos, eu não tenho", afirmou, ponderando que os bancos "são importantíssimos". 

Questionada sobre a posição do procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, que criticou as propagandas eleitorais da petista, a presidente afirmou que "tem que ser julgada pelo TSE e não pelo procurador". "Ele pode ter a opinião dele, mas o tribunal vai ter que dar opinião", disse.  

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