O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2011 | 03h07

O governo cansou de cumprir o conhecido roteiro da demissão depois da denúncia. Em conversa reservada com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a presidente Dilma Rousseff perguntou com todas as letras se ele tinha como enfrentar as acusações no cargo. Diante da resposta positiva de Lupi, na noite de segunda-feira, Dilma incumbiu o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, de medir o apoio ao ministro na bancada do PDT.

Duas horas depois Carvalho chamou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Queria saber se, realmente, não havia nada que envolvesse Lupi nas acusações de corrupção publicadas pela revista Veja.

"Ele me disse que a presidente precisava de alguém com respaldo para enfrentar essa situação, porque não dá para aceitar que a imprensa fique derrubando ministro de 15 em 15 dias", contou Paulinho, presidente da Força Sindical.

A conversa foi acompanhada pelo viva voz do telefone por Giles Azevedo, chefe de gabinete de Dilma. Na tarde de ontem, Giles divulgou nota negando ter recebido alerta de deputados do PDT sobre cobrança de propina no Ministério do Trabalho, conforme noticiou Veja.

Em agosto, porém, o auxiliar de Dilma recebeu Paulinho e o deputado Brizola Neto (PDT-RJ). O Estado apurou que estava em curso, àquela época, uma negociação para substituir o líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), mas as articulações não foram adiante.

No Planalto, a afirmação de Lupi, de que só sai do ministério se for "abatido a bala", foi considerada "exagerada". Embora Dilma tenha mandado Lupi enfrentar as denúncias, para não ficar refém da imprensa, ele não está livre da demissão. A ordem no Planalto é "monitorar" o caso à exaustão para checar se não há nada que comprometa o ministro.

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