Dilma mantém tática de ‘desconstruir’ Marina

Estratégia é reforçar propagandas que incutem o medo no eleitor, tentando carimbar na adversária o rótulo de ‘despreparada’

Vera Rosa Ricardo Della Coletta e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2014 | 03h00

A 17 dias da eleição, a campanha da presidente Dilma Rousseff vai ampliar a ofensiva para disseminar o medo contra a candidata do PSB, Marina Silva. No diagnóstico do PT, a estratégia de “desconstrução” de Marina não só está surtindo efeito como deve ser reforçada para desgastar a adversária. O objetivo dos petistas é colar em Marina o carimbo de “despreparada” para governar. 

Reunidos nesta quarta-feira em Brasília, coordenadores da campanha de Dilma demonstraram alívio com a atuação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que ficou em silêncio na CPI e repetiu 18 vezes que não tinha nada a declarar. Em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, Costa acusou pelo menos 32 políticos -- incluindo na lista partidos da base aliada, como o PT e o PMDB - de participação em um esquema de desvio de dinheiro na estatal.

Além do “nada a declarar” de Paulo Roberto Costa, a campanha petista também comemorou na quarta-feira a aprovação, por eleitores, do novo personagem “Pessimildo” - boneco mal humorado que ironiza as previsões negativas sobre o desempenho do governo, no horário político de TV.

Embora a pesquisa Ibope de terça-feira tenha indicado que a vantagem de Dilma em relação a Marina diminuiu de 8 para 6 pontos, os “trackings” encomendados pelo marqueteiro João Santana mostram cenário mais favorável à presidente.

Pelos últimos levantamentos em poder do Palácio do Planalto e do PT, a diferença entre as duas está agora em dez pontos. Mesmo a pesquisa do PT, porém, mostra Dilma e Marina empatadas em eventual segundo turno.

A estratégia do partido para os últimos dias de disputa consiste em intensificar a campanha de Dilma em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O receio dos petistas é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seja reeleito no primeiro turno, situação que prejudicaria ainda mais a campanha de Dilma. O último comício da presidente deve ser realizado em São Paulo, no dia 30. Além da prioridade a São Paulo, Dilma também tentará ampliar a vantagem em Minas Gerais, onde o candidato do PSDB, Aécio Neves, está crescendo. Na reta final ela ainda irá ao Rio, à Bahia, ao Rio Grande do Sul e a Pernambuco. 

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