Dilma manda divulgar contratos com Delta

Marco Maia afirmou ontem que presidente quer dar transparência às operações da construtura com o governo federal

SONIA RACY, ENVIADA ESPECIAL , COMANDATUBA (BA), O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h06

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem que a criação da CPI do Cachoeira já começou a ter consequências. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff determinou que todos os contratos do governo federal com a Construtora Delta, uma das supostas beneficiadas pelo esquema de Carlinhos Cachoeira, sejam publicados na internet. O objetivo é dar transparência às operações da Delta com a União.

Ele destacou que a presidente Dilma tem acompanhado "de longe" os trabalhos da comissão. "A postura do Executivo tem sido de deixar os trabalhos andarem sem interferências. Dilma tem muita gordura para queimar", disse Maia, referindo-se à credibilidade da presidente com a opinião pública. O petista participou ontem do Fórum de Comandatuba, na Bahia.

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), também presente no evento, reforçou a distância do Executivo com as investigações da CPI. "O governo não entrou nesse processo, que é de competência do Congresso. Não estamos preocupados, a CPI não vai atrapalhar o governo", afirmou.

Rapidez. Maia acredita que os trabalhos da CPI sejam concluídos até agosto. "Quatro meses de CPI são suficientes, se o processo for bem conduzido", avalia. De acordo com ele, a pauta dos trabalhos deve ser apresentada pelo relator Odair Cunha na quarta-feira.

Apesar da previsão otimista relativa ao término das investigações, Maia se revela preocupado com o andamento da comissão. "Será explosiva. Uma coisa são essas pessoas (os acusados) dando depoimento à Polícia Federal, que é uma coisa fechada, outra é uma investigação a portas abertas, como no Congresso. Vai haver contradições, perguntas de todos os lados e detalhes que não estão nas investigações serão revelados."

Segundo ele, a principal dificuldade será o montante de dados a analisar e de suspeitos a ouvir. "Não quero interferir, porque a decisão é do relator, mas na minha opinião, seria importante colher mais algumas informações e ouvir pessoas importantes que estão na lista de contatos do Cachoeira para depois ouvi-lo, com mais subsídios, para uma abordagem mais contundente."

Os trabalhos da CPI serão divididos, conforme Maia, com o objetivo de acelerar as investigações. "Vamos conduzir os trabalhos em duas linhas, a dos negócios em si e a dos contatos e de seus impactos nas esferas pública e privada." Mas faz uma ressalva: a falta de foco pode tirar a eficiência da comissão. "Atirar para todo lado é um bom jeito para que a CPI não dê em nada." / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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