Dilma justifica aumento de servidores em período eleitoral

Ministra-chefe diz, ao lado de Maria do Rosário, em Porto Alegre, que governo não pode parar em ano eleitoral

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2008 | 19h50

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sustentou que o governo não pode parar a cada dois anos por conta de acusações, feitas pela oposição, de dar viés eleitoral a suas ações, como a recente medida provisória que reajusta os vencimentos de 1,4 milhão de servidores públicos, aprovada pelo Senado na quarta-feira.   Veja também: O perfil dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre   "Um ano você não pode governar porque tem eleição, no outro você governa e aí, no seguinte, pára de governar. Não existe isso", disse, durante visita de 20 minutos que fez ao Mercado Público de Porto Alegre ao lado da candidata do PT à prefeitura da capital gaúcha, Maria do Rosário, neste sábado.   Dilma destacou que o Brasil passa hoje por momento muito especial, com finanças públicas robustas, com mobilidade social, com pessoas "subindo na vida" e migrando das classes D e E para a classe C. "E aí, o governo federal vai abrir mão de dar sustentação para isso?", questionou.   A ministra justificou os aumentos salariais do governo federal lembrando que estão direcionados sobretudo aos servidores das áreas de educação, saúde e Polícia Federal. "Isso tudo significa também que o Brasil está se preparando para enfrentar o fato de que é imprescindível uma política agressiva na área da educação, daí porque o presidente tem dito que os recursos do pré-sal têm como destinação a educação do povo brasileiro", afirmou.   Campanha   Apesar de abordar temas federais, Dilma não quis falar na sucessão presidencial e se recusou a responder às perguntas que tentavam saber se a caminhada entre as bancas do mercado era um ensaio para campanha de 2010. "Essa é uma campanha municipal, não estamos fazendo nenhuma campanha presidencial aqui".   No rápido passeio, a ministra limitou-se a cumprimentar alguns comerciantes de longe, com acenos, e as pessoas que se dirigiram a ela, enquanto Maria do Rosário parou algumas vezes para apertar a mão de eleitores. No meio do caminho, as duas entraram na tradicional Banca 40 para tomar um suco de frutas com o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia.   Dilma também usou o sábado para gravar depoimentos de apoio a candidatos do PT no Rio Grande do Sul. À tarde, tinha atividades de campanha ao lado do candidato Pepe Vargas, em Caxias do Sul, e, à noite, seguiria para Santa Maria para participar de um ato de apoio a Paulo Pimenta.   Depois de se despedir de Dilma, Maria do Rosário elogiou a "atitude militante" da ministra. Também disse que, como gestora, vai se inspirar em Dilma, a quem considerou como sua candidata à sucessão de Lula após um momento de hesitação. Provocada a comentar o "pouco traquejo" de Dilma no contato com os eleitores, Maria do Rosário afirmou que "a vida política não exige abraços falsos ou pegar criancinhas no colo na hora da eleição, mas o olhar verdadeiro, essa coisa que vem de dentro e que ela (a ministra) tem". Segundo Maria do Rosário, Dilma não está enrolando ninguém, é como é e não faz nada para agradar. "Eu prefiro este jeito", ressaltou.

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