André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma: 'Já quiseram acabar com Minas e Energia e deu no que deu'

Em entrevista no Alvorada, candidata à reeleição disse que o PSDB fez 'barbaridades' no setor elétrico, falou sobre a 'possibilidade' de aumento de combustíveis e voltou a defender a Petrobrás

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2014 | 18h51

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff convocou neste domingo, 10, entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, sem uma pauta definida. Depois de iniciar felicitando os "pais, filhos, netos e bisnetos" pelo Dia dos Pais, ela passou a responder diretamente a críticas de seus principais adversários na disputa eleitoral à Presidência da República. Atacou primeiro a proposta do candidato do PSDB, senador Aécio Neves, de reduzir o quadro ministerial extinguindo, por exemplo, o Ministério de Minas e Energia. Na entrevista, a presidente falou ainda da "possibilidade" de aumento do preço dos combustíveis e voltou a defender a Petrobrás.

Setor elétrico. Destacando ter sido ministra de Minas e Energia depois do governo Fernando Henrique Cardoso, ela disse que os tucanos iniciaram um processo de tornar o ministério “mínimo”. “Isso levou ao maior racionamento da história do País”, declarou. “Eles já quiseram acabar com esse ministério e deu no que deu.” Dilma disse ainda que o PSDB, quando governou o País, fez “barbaridades” com o setor. Na entrevista, a presidente falou ainda da possibilidade de aumento do preço dos combustíveis e voltou a defender a Petrobrás. 

Dilma afirmou que no fim do ano passado surgiram prognósticos de que o País sofreria racionamento novamente. “E não teve nem meio (racionamento)”, rebateu. “Porque nós planejamos o setor, criamos a EPE (Empresa de Planejamento Energético) e fizemos um processo de investimento”. A presidente pontuou ainda que nos oito anos do governo do PSDB foram feitos investimentos em torno de 22 mil megawatts. “Em quatro anos eu fiz 20 (mil megawatts). Em linha de transmissão nós fizemos o dobro do que eles fizeram.” Dilma citou ainda o acionamento das usinas térmicas diante dos problemas hídricos enfrentados pelo País. “Seria estranho que na hora da precisão nós não usássemos as térmicas”, concluiu.

Aumento dos combustíveis. A presidente comentou sobre possibilidade de aumento no preço da gasolina, quando questionada sobre a queda nos resultados da Petrobrás e se haveria reajuste para aliviar o caixa da estatal. A presidente disse que a petroleira está num processo de ampliação da produção e que os resultados "serão revertidos". "Necessariamente em algum momento do futuro pode ser que tenha um aumento (dos combustíveis)." 

Apesar da declaração, Dilma destacou que não estava confirmando ou negando um aumento, mas falando apenas sobre uma possibilidade, lembrando ainda aumentos anteriores. "Quero repetir que não estou dizendo se vai ou não ter aumento de preço de combustível."

Defesa da Petrobrás.  A presidente voltou a defender a Petrobrás e, em referência às denúncias de irregularidade que se abateram sobre a petroleira, disse que é muito perigoso "utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção". Dilma sugeriu ainda que o ambiente eleitoral tem influenciado as denúncias. "Misturar eleição com a maior empresa de petróleo do País não é correto e não mostra nenhuma maturidade", disse. 

A Petrobrás tem estado sob fogo cruzado desde que o Estado revelou, no início do ano, que a presidente Dilma apoiou, quando ministra-chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, a compra de 50% da refinaria de Pasadena (EUA), numa transação que posteriormente resultou num prejuízo bilionário para a estatal. 

O caso gerou duas comissões parlamentares de inquérito no Congresso e o Tribunal de Contas da União (TCU) pode incluir a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, entre os responsabilizados pelo negócio e declarar a indisponibilidade de seus bens.

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