Dilma injeta R$ 3 bilhões no Estado de Campos e cobra 'aliado comprometido'

Sucessão de 2014. No mesmo palanque que o governador de Pernambuco, que cogita disputar a Presidência e abandonar parceria com o PT, presidente afirma que 'forças políticas sozinhas' não governam; Campos enfatiza importância de tratamento 'republicano'

BRUNO BOGHOSSIAN, ENVIADO ESPECIAL, SERRA TALHADA (PE), O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a visita a Pernambuco ontem para mandar recados ao governador Eduardo Campos (PSB), que aspira concorrer à Presidência em 2014, e cobrou comprometimento e lealdade de seus aliados com o atual projeto federal de desenvolvimento. Depois de anunciar investimentos federais de R$ 3,1 bilhões no Estado e no mesmo palanque que o governador, a presidente disse que "nenhuma força política sozinha" consegue dirigir o País.

"O Brasil vai continuar numa trajetória de estabilidade e de controle da inflação, mas de crescimento(...) Nós vamos, cada vez mais, provar que o País só será um país forte, um país desenvolvido se nós tivermos a determinação, a coragem de continuar por esse caminho, e é um caminho deste país complexo (...)Nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir um país com esta complexidade. Precisamos de parceiros, precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho."

A presidente, que ao lado de Campos participou da inauguração do trecho de um sistema de abastecimento de água em Serra Talhada, no sertão pernambucano, enfatizou que é impossível governar sem uma coalizão ampla. A última visita de Dilma a Pernambuco havia ocorrido há mais de um ano. O governador é presidente nacional do PSB, partido que tem aliança histórica com o PT, mas a parceria está estremecida desde que ele iniciou uma ofensiva nos bastidores visando a uma candidatura presidencial.

Dilma disse abertamente que os Estados dependem de recursos do governo federal para pagar contas e cobrou engajamento dos parceiros. "Não podemos esquecer de onde viemos e não podemos nos esquecer dos compromissos políticos por que lutamos ao longo de nossas vidas. Nós constituímos todo um processo de luta e de mudança, e essa mudança não é uma mudança que está nas estatísticas. Essa mudança que começa em 2003."

Cautela. Eduardo Campos fez um discurso cauteloso. Dividido entre a continuidade de uma aliança com o PT ou o desembarque rumo a um projeto próprio, ele agradeceu à presidente pelas parcerias, mas destacou que o governo federal deve manter um tratamento "republicano" a seus adversários.

"Conheço de perto o fel da discriminação, da arrogância daqueles que, durante muito tempo, não entenderam a importância do diálogo e da democracia. Aqui, há dois governantes que não discriminam por princípio e deixam como legado uma prática política republicana", disse o governador.

Campos afirmou ser "um amigo de grandes jornadas" de Dilma. "Aqui a senhora tem um governador, mas também tem um companheiro, e tem um amigo de grandes jornadas", declarou. "Quero agradecer pelas parcerias que temos com o governo federal - muitas que vêm de anos, antes de seu mandato, parcerias iniciadas com um grande brasileiro, o presidente Lula", disse Campos. "Não nos tem faltado o Brasil e não tem faltado apoio político ao governo de Vossa Excelência."

O governador pernambucano fez questão de enfatizar avanços anteriores aos governos de Lula e Dilma. "Nesses últimos 30 anos, construímos uma democracia, construímos fundamentos macroeconômicos importantes para um País da dimensão do Brasil e, nos últimos 10 anos, sob a liderança do presidente Lula, vimos essas condições permitirem chegarmos com o governo aonde o governo não chegava antes", disse Campos.

O governador, que em declarações recentes faz alertas sobre a economia e mantém contatos até com tucanos - como o ex-governador José Serra -, ouviu outra alfinetada: "Já teve época que país rico era país que não se tratava da questão social, só da questão econômica", disse a petista, referindo-se à gestão do PSDB.

Mérito federal. Ao citar avanços de Pernambuco, Dilma salientou o papel do governo federal no desenvolvimento da região, reivindicando o crédito pelo crescimento do Estado. "Pernambuco é um novo Pernambuco. O governador tem um grande papel nisso, sem dúvida, e o governo federal, tanto com Lula quanto na minha gestão, também tem. Todos os investimentos que fizemos em Pernambuco, se você juntar os investimentos federais e feitos pelas nossas estatais, chega a um volume extraordinário de R$ 60 bilhões."

Durante o evento, Dilma e sua equipe anunciaram novos investimentos de R$ 3,1 bilhões no Estado, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Desse total R$ 2,8 bilhões (90%) sairão dos cofres federais e R$ 330 milhões serão financiados pelo Estado. Ao anunciar os valores, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) disse que os investimentos "consolidam a parceria entre governo federal e governo estadual".

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