Dilma inicia seu 'road show' eleitoral contra prováveis adversários em 2014

A presidente Dilma Rousseff iniciou ontem uma série de comícios de apoio a correligionários e a aliados neste 2.º turno das eleições municipais. Os locais escolhidos têm em comum candidatos adversários cuja projeção é nacional ou que são apoiados por políticos que poderão estar unidos contra ela na disputa pela reeleição presidencial em 2014.

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h03

"Sou de um governo e de uma tradição republicanos, jamais perseguimos ou discriminamos ninguém, tratamos todo mundo com respeito, porque gostamos de respeito", disse Dilma em Salvador, no discurso de apoio ao candidato petista Nelson Pelegrino. "Mas isso não significa que eu não saiba quem faz parte do meu projeto, do meu time, da minha família."

Em caso de vitória de ACM Neto (DEM), o Planalto avalia que a capital baiana poderá se transformar num centro forte de oposição tanto ao governo estadual de Jaques Wagner (PT) - também presente ontem no comício - quanto ao governo federal.

A mesma lógica, com olhos em 2014, foi usada na escolha dos outros palanques do 2.º turno.

Em Campinas (SP), onde a presidente estará hoje, o adversário dos petistas é apoiado pela parceria PSB-PSDB - aliança que começa, aos poucos, a se desenhar para a eleição presidencial (mais informações no texto abaixo). A disputa na cidade do interior paulista reedita um confronto do PT contra a aliança PSB-PSDB ocorrida em Belo Horizonte. O aliado nacional Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, apoia o adversário de Márcio Pochmann (PT), Jonas Donizette (PSB).

Em São Paulo, o adversário do partido é José Serra (PSDB), nome nacional que já disputou duas eleições presidenciais. Em Manaus, o adversário é Arthur Virgílio. Além de o ex-senador ter se transformado num dos principais opositores do governo de Lula, ele ainda terá o apoio do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), que deverá desembarcar na cidade na terça-feira. Aécio é o nome mais cotado da oposição para enfrentar Dilma em 2014 na corrida ao Planalto.

O discurso de Dilma de ontem, realizado no populoso bairro de Cajazeiras, durou 18 minutos. Ela errou o nome do local quatro vezes - dizendo "Cazajeiras" - elencou benfeitorias e programas sociais realizados por seu governo e pelo do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e destacou a importância de eleger um "prefeito parceiro" dos governos federal e estadual.

Dilma também atacou ACM Neto. "Tem gente que votou contra a lei de cotas, que entrou na Justiça para acabar com a lei de cotas (referindo-se à representação judicial apresentada pelo DEM), tem gente que falou que o Bolsa-Família era bolsa esmola, tem gente que achou um absurdo a gente subsidiar casa para quem não tem salário suficiente para pagar a própria moradia", disse. "Aqui não pode ter um governinho, não pode ter um governo pequenininho", afirmou.

Novela. No meio do discurso da presidente, muitos presentes deixaram o local por causa da novela Avenida Brasil, cujo último capítulo foi exibido ontem. A campanha do PT chegou a cogitar a instalação de um telão para a transmissão da novela após os discursos, mas a Justiça negou o ato. O atraso de uma hora no início do evento deixou muitos militantes apreensivos.

Antes de Dilma falar, Wagner chegou a brincar. "Achavam que, por causa da novela, o povo ia perder a oportunidade de, pela primeira vez na história de Cajazeiras, receber a visita de um presidente", disse o governador.

Mas, quando chegou 20h40 e o discurso de Dilma nem havia chegado à metade, os militantes petistas não resistiram. Muitos botecos do entorno do local aproveitaram para lucrar: instalaram TVs para a transmissão do último capítulo.

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