Dilma indica Brizola Neto para o Trabalho, mas nome desagrada PDT

Esplanada. Na véspera do 1º de Maio e em meio à CPI do Cachoeira, presidente segue conselho de Lula e anuncia novo ministro, cinco meses após a demissão de Carlos Lupi; bancada pedetista na Câmara, porém, tratou indicação como uma 'escolha pessoal'

VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2012 | 03h07

Cinco meses depois de demitir o ministro do Trabalho por suspeita de corrupção, no rastro da faxina administrativa, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) como novo titular da pasta. A escolha foi divulgada na véspera do Dia do Trabalho, em meio à CPI do caso Cachoeira, mas não agradou ao PDT.

Foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aconselhou Dilma, na quarta-feira, a não deixar o Dia do Trabalho ser comemorado sem ministro. Em almoço no Palácio da Alvorada, Lula disse à sua sucessora que, se isso ocorresse, ela não apenas seria alvo de críticas nos palanques, hoje, como o PT receberia "troco" da Força Sindical na campanha.

Na manhã de ontem, Dilma se reuniu por uma hora e meia com o presidente do PDT, Carlos Lupi - o ministro do Trabalho defenestrado na esteira de denúncias de malfeitos - e bateu o martelo sobre a indicação de Carlos Daudt Brizola, mais conhecido como Brizola Neto.

O deputado substituirá Paulo Roberto Pinto, que estava interinamente no comando da pasta desde a saída de Lupi, em dezembro do ano passado.

A presidente pediu ao novo ministro que ajude a criar uma "agenda positiva" no Trabalho, desgastado após a sucessão de denúncias.

Atualmente, governo e centrais sindicais vivem novo impasse: discordam a respeito do valor de referência para a cobrança do Imposto de Renda sobre lucros e dividendos distribuídos aos trabalhadores.

'Escolha pessoal'. Embora Dilma tenha demorado a anunciar o ministro do Trabalho, na expectativa de um acordo na seara do PDT, a escolha não foi vista com bons olhos pela bancada do partido na Câmara. "É claro que se trata de uma escolha pessoal da presidente, mas Brizola Neto não é o nome que agrada mais", resumiu o líder da legenda na Câmara, André Figueiredo (CE).

Disposto a acabar com os ruídos, o novo ministro disse que trabalhará pela unidade no PDT. "Vamos acabar com qualquer tipo de insatisfação", prometeu ele (leia mais nesta página).

A negociação para emplacar Brizola Neto também contou com a ajuda do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Apesar das resistências na bancada do PDT na Câmara, que preferia o deputado Vieira da Cunha (RS) para a cadeira de Lupi, o novo titular do Trabalho recebeu apoio das centrais, principalmente da Força Sindical, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP).

PDT. Pré-candidato do PDT a prefeito de São Paulo, Paulinho nega que a indicação de Brizola Neto tenha influência no comportamento do partido nas eleições municipais ou mesmo na CPI do Cachoeira. "O PDT apoia o governo e quer a investigação do caso Cachoeira. E, em São Paulo, eu não vou desistir da campanha para avalizar Fernando Haddad", argumentou o deputado, numa referência ao concorrente do PT.

Mesmo com a candidatura de Paulinho na praça, o PDT namora o PSDB e o comando da campanha de Haddad desconfia que o presidente da Força vá se juntar ao tucano José Serra.

Além de tentar obter a unidade no PDT, Dilma também segurou a nomeação de Brizola Neto - decidida há mais de um mês - porque estava contrariada com o partido, que se dividiu em várias votações no Congresso. No caso da criação do Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos, o PDT foi um dos mais infiéis. / COLABOROU DENISE MADUEÑO

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