Dilma grava programa de TV do PT e prioriza projeto reeleitoral na agenda

A disputa pelo Palácio do Planalto tomou conta da agenda da presidente Dilma Rousseff nos últimos dias: a petista intensificou os contatos políticos, gravou sua participação no programa partidário do PT e desembarcou no reduto eleitoral de seu provável adversário na sucessão de 2014, o senador tucano Aécio Neves.

TÂNIA MONTEIRO , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

16 Abril 2013 | 02h12

Dilma vai estrelar o programa eleitoral do PT que vai ao ar no dia 9 de maio e cujas inserções começarão a ser veiculadas na TV e no rádio no dia 27 deste mês. Ela gravou ontem pela manhã durante mais de uma hora, num estúdio localizado a cerca de dez km do Palácio do Planalto.

Os programas ainda vão passar por edição e deverão ser submetidos ao crivo da própria presidente. Mas, segundo petistas, o tema deverá girar em torno do combate à miséria - que Dilma promete pôr um fim em seu mandato -, e os pacotes de bondade, a exemplo da redução nas tarifas de energia elétrica e da isenção de impostos federais nos produtos da cesta básica. As duas últimas medidas foram anunciadas pela presidente em cadeia nacional de rádio e TV neste ano.

Dos três pré-candidatos à Presidência no ano que vem, Dilma será a segunda a aparecer nos programas de rádio e TV. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável candidato do PSB, já está no ar com as primeiras inserções - dez delas irão ao ar hoje e mais dez no dia 18, terminando com o programa de dez minutos no dia 25. Dilma aparece a partir do final deste mês e Aécio, a partir de maio.

Despiste. Apesar de a agenda da presidente registrar para todo o dia de ontem, a princípio, apenas despachos internos, sem dizer onde e a que horas, Dilma dedicou boa parte da manhã para as gravações. Ela deixou o Palácio da Alvorada por volta das 10 horas, em um carro descaracterizado, sem qualquer referência à Presidência da República.

Normalmente seu carro tem uma placa verde e amarela e ostenta a bandeira presidencial. A presidente foi ao estúdio acompanhada de pelo menos quatro carros de segurança. A gravação estava programada para domingo. Mas a presidente acabou retornando apenas no meio da tarde para Brasília. É que depois de decolar de Porto Alegre, onde passou o fim de semana, Dilma fez um pouso em São Paulo, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No início do ano, após um encontro entre ambos, a presidente mudou seu estilo quase sempre contido e passou a fazer discursos políticos mais fortes.

Em fevereiro, Lula lançou a pré-candidatura de Dilma ao Planalto e afirmou que sua reeleição seria uma resposta aos adversários. Naquele mesmo dia, Aécio havia subido à tribuna do Senado para elencar o que chamou de "os 13 fracassos" do PT durante os dez anos do partido no comando do Palácio do Planalto.

No mesmo dia, a presidente fez um discurso no qual afirmou que o PT "não herdou nada" dos tucanos, que administraram o País entre 1995 e 2002. "Nós construímos", afirmou Dilma.

Lula e Dilma participaram ontem à noite de um seminário organizado pelo PT em Belo Horizonte. É o terceiro seminário que o partido realiza a fim de discutir os dez anos de experiência no governo federal. Após o seminário mineiro, Dilma, que nasceu em Belo Horizonte, também deve participar no evento marcado para Porto Alegre, capital do Estado onde se radicou politicamente.

O seminário de ontem foi aberto pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que falou sobre o ensino no País e exaltou a sua própria gestão. Estavam presentes, além do presidente nacional do PT, Rui Falcão, líderes locais como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que pretende disputar o governo mineiro no ano que vem, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias.

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