Dilma faz prestação de contas na ONU e diz que Brasil passa por 'grande transformação'

Presidente aproveitou o discurso de abertura da Assembleia Geral da entidade para falar das conquistas sociais dos governos petistas nos últimos 12 anos

Rafael Moraes Moura, enviado especial a Nova York Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 11h31

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Atualizada às 22h17


A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) aproveitou nesta quarta-feira, 24, a tribuna da 69.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) para fazer uma prestação de contas de seu mandato e exaltar as conquistas do seu governo e da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

A candidata destacou os últimos 12 anos como marco da construção de uma sociedade mais “inclusiva” no País. Ao ser questionada se o conteúdo de seu discurso não tinha caráter eleitoral, a menos de duas semanas da eleição, Dilma sustentou que a transformação social e econômica pela qual passa o País é “um valor para ser afirmado internacionalmente”.

“Abro este debate geral às vésperas de eleições, que são a celebração de uma democracia que conquistamos há quase 30 anos. Nos últimos 12 anos, em particular, acrescentamos a essas conquistas a construção de uma sociedade inclusiva baseada na igualdade de oportunidades.”

A presidente defendeu que há um combate “sem trégua” à corrupção no País e assegurou que não deixou de cuidar da solidez fiscal e da estabilidade monetária, sabendo “dar respostas” à crise econômica mundial.

Dilma também destacou que, apesar dos efeitos da crise, o País gerou empregos, valorizou salários, reduziu a desigualdade e saiu do Mapa da Fome, conforme apontou relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

“A grande transformação em que estamos empenhados produziu uma economia moderna e uma sociedade mais igualitária. Exigiu, ao mesmo tempo, forte participação popular, respeito aos direitos humanos e uma visão sustentável de nosso desenvolvimento”, disse.

Dilma foi orientada pelo comitê de campanha a ir a Nova York e usar os holofotes da ONU como palanque em nível internacional - um espaço que seus adversários na corrida pelo Palácio do Planalto não possuem. Discursou diante de uma plenária lotada e foi muito aplaudida.

Histórico. O teor de seu discurso neste ano contrasta com o de participações passadas. Em 2011, no seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, defendeu a quebra de patente de drogas para diabete e hipertensão; em 2012, criticou uma solução militar na Síria e adoção de “políticas fiscais ortodoxas” em nações desenvolvidas no enfrentamento da crise; em 2013, atacou a espionagem do governo norte-americano.

Dessa vez, optou por passar a limpo o seu mandato e fazer publicidade de políticas sociais e indicadores de emprego, renda e desigualdade. “Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário básico, aumentando em 71% seu poder de compra. Com isso, reduziu a desigualdade. Trinta e seis milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003, 22 milhões somente em meu governo”, ressaltou a presidente, destacando que o Brasil “saltou de 13ª para 7ª maior economia do mundo” e que a renda per capita “mais que triplicou”.

“Se em 2002, mais da metade dos brasileiros era pobre ou muito pobre, hoje 3 em cada 4 brasileiros integram a classe média e os extratos superiores”, disse Dilma, fazendo questão de comparar a era petista ao período do fim do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Economia. Apesar da crise econômica mundial, o Brasil gerou 12 milhões de empregos formais nos últimos anos, enquanto o mundo desempregava milhões de trabalhadores, observou a presidente. “Não descuramos da solidez fiscal e da estabilidade monetária e protegemos o Brasil frente à volatilidade externa”, enfatizou.

Até a inflação, alvo de críticas da oposição, foi lembrada por Dilma em discurso perante a comunidade internacional. “A taxa de inflação anual também tem se situado nos limites da banda de variação mínima e máxima fixada pelo sistema de metas em vigor no Brasil.”

A petista ainda reiterou o compromisso do governo no combate à corrupção e no fim da impunidade e citou inclusive o Portal da Transparência, frequentemente lembrado na fala da presidente quando é questionada sobre escândalos de corrupção. Em coletiva de imprensa após o discurso na ONU, Dilma negou ter feito um discurso de candidata à reeleição.

“Falo que o Brasil reduziu a desigualdade, aumentou a renda, ampliou o emprego, em todos os discursos. Isso é um valor aqui, o mundo reconhece que nós fizemos isso. Digo isso porque tenho um imenso orgulho disso e acho que parte do respeito que o Brasil tem no plano internacional decorre do fato de a gente ter feito isso”, defendeu-se.

 

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