Dilma evita campanha em SP para não melindrar PMDB

Presidente não tomará partido onde houver polarização entre o PT e o partido da base aliada

Gustavo Porto e Daiene Cardoso, da Agência Estado

28 de agosto de 2012 | 17h37

A presidente Dilma Rousseff só entrará na campanha eleitoral em São Paulo, com a participação em eventos políticos de Fernando Haddad, se a candidatura do petista não polarizar com a do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB). Dilma seguirá à risca a posição do governo de não tomar partido onde houver disputas entre candidatos de siglas do governo e de sua base aliada, ainda mais com o PMDB do vice-presidente Michel Temer.

"A lógica dela é a lógica do governo e não do partido", disse à Agência Estado uma liderança petista. A avaliação do PT, baseada em pesquisas internas qualitativas, é de que Chalita tem potencial de crescer em cima do eleitorado de José Serra (PSDB) e se consolidar como uma terceira via na eleição paulistana. Outra avaliação é de que o petista Fernando Haddad tem potencial também para crescer em cima da candidatura do atual líder nas pesquisas de intenção de votos, Celso Russomanno (PRB).

E na eventualidade disso ocorrer e o peemedebista vir a disputar um eventual segundo turno com Haddad, este é o cenário mais temido pelos caciques do PT. Na visão dos petistas, uma eventual ida de Chalita ao segundo turno com Haddad atrairia automaticamente o apoio do tucanato ao peemedebista e, por consequência, ganharia o voto dos antipetistas. Não é à toa que os petistas acompanham cuidadosamente as mais recentes pesquisas de intenção de voto, onde o tucano José Serra tem oscilado negativamente, uma vez que ninguém no PT esconde o desejo de disputar um eventual segundo turno com o PSDB. Para os petistas, a polarização num segundo turno entre PT e PSDB seria o cenário adequado para uma vitória petista.

Simpáticos. Segundo as pesquisas internas do PT, dois terços dos eleitores de Russomanno são simpáticos ao PT e podem escolher Haddad, a partir do momento em que ele se torne mais conhecido. De acordo com a sigla, o maior problema de Haddad é romper da faixa de votação de 30% a 40% que o PT tem historicamente na capital paulista, que garante o candidato no segundo turno, mas não seria suficiente para elegê-lo.

Dilma só deve se posicionar sobre sua participação nas campanhas eleitorais no País após 7 de setembro. A presidente disse aos líderes do partido que está envolvida neste momento nas negociações com os servidores federais em greve e com as medidas do governo para alavancar a economia.

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