Dilma escala ministros para 'teste' legislativo

Presidente reúne primeiro escalão e líderes para que monitorem votação da Lei Geral da Copa

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h06

Preocupada com os efeitos da rebelião da base parlamentar do governo na votação da Lei Geral da Copa, a presidente Dilma Rousseff reuniu ontem oito ministros, além dos líderes do governo na Câmara e no Senado, no Palácio do Planalto, e pediu que todos se mobilizem para a aprovação do projeto de lei. Dilma mandou os ministros telefonarem para deputados de seus respectivos partidos, na tentativa de evitar surpresas no plenário da Câmara.

Esta semana é vista no Planalto como um teste político após o motim liderado pelo PMDB no Senado e a troca dos líderes do governo no Congresso. A votação da Lei Geral da Copa está prevista para amanhã, quando os ruralistas também prometem pressionar o presidente da Câmara, Marco Maia (PT), a pôr em pauta o Código Florestal.

O Planalto orientou sua base de apoio a adiar a votação do Código Florestal, pois avalia que, hoje, perderia a queda de braço. "A presidente Dilma não vai admitir um retrocesso nesse assunto nem que desfigurem o projeto", insistiu ontem a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a deputados e senadores do PT e do PMDB.

Embora o Planalto avalie que nenhum partido arcará com o ônus de inviabilizar a Lei Geral da Copa, os governadores também serão chamados a entrar em campo para convencer suas bancadas a não criar problemas.

Na reunião de ontem, Dilma garantiu que todos os acordos relativos à venda de bebidas nos estádios serão cumpridos.

Dor de cabeça. A maior apreensão do Planalto está no Código Florestal, por causa da proximidade da Rio+20, a Conferência da ONU para Desenvolvimento Sustentável, que será realizada em junho, no Rio. O Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais, que já passou pela Câmara e agora será votado no Senado, também está no radar do governo.

Dilma tentou amenizar a turbulência na base aliada. "Não existe crise, mas, sim, um desconforto. Vivemos um presidencialismo de coalizão e, por isso, é natural que existam contradições", afirmou a presidente, de acordo com relato de participantes da reunião. Mesmo assim, Dilma admitiu a preocupação com as votações dos próximos dias. Antes da troca dos líderes no Congresso, o governo sofreu uma derrota quando o Senado rejeitou a recondução do presidente da ANTT, Bernardo Figueiredo.

O novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB), defendeu ontem a ministra Ideli, alvo de reclamações de parlamentares aliados, insatisfeitos com a articulação política do Planalto. "É uma função espinhosa, mas acho que a ministra é muito esforçada, sabe como funciona o Congresso e tem uma boa interlocução com seus pares", disse. "Vamos fazer desse limão uma limonada", emendou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, após reunião da bancada do partido, na tarde de ontem, para acertar os ponteiros.

Além de Ideli, participaram do encontro os ministros Aldo Rebelo (Esporte), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Helena Chagas (Comunicação Social) e Edison Lobão (Minas e Energia), além dos líderes Eduardo Braga e Arlindo Chinaglia. / VERA ROSA, TANIA MONTEIRO e ROSA COSTA

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