Dilma entra novamente em atrito com jornalistas e cita dados imprecisos

Dilma entra novamente em atrito com jornalistas e cita dados imprecisos

Desta vez, candidata do PT é contestada pela jornalista Miriam Leitão no Bom Dia Brasil sobre dados da economia mundial

O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 18h52


A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) entrou novamente em atrito com jornalistas da Globo durante entrevista que foi ao ar hoje de manhã no programa Bom Dia Brasil. A petista já havia tido momentos ríspidos com Patrícia Poeta e William Bonner no Jornal Nacional, em 18 de agosto - chegou a cancelar sua participação no Jornal das Dez, da Globonews, no mesmo dia, e no Jornal da Globo, semanas depois. 

Nesta segunda-feira, em entrevista gravada domingo de manhã no Palácio da Alvorada, em Brasília, e exibida na íntegra, sem cortes nem edição, Dilma citou dados imprecisos sobre economia e foi contestada pela jornalista Miriam Leitão.

Primeiro, houve discrepância sobre a meta de inflação dos Estados Unidos. A presidente disse que o país vive às voltas com o perigo da deflação - índice negativo, abaixo de zero, sinônimo de recessão -, enquanto Miriam a corrigiu ao dizer que a meta inflacionária americana é de 2% ao ano.

Depois, divergiram sobre a Alemanha. A jornalista dizia que o país de Angela Merkel tem uma taxa de crescimento prevista em 1,5% ao ano, e Dilma tentou corrigi-la ao dizer que era de 0,8% - mas a presidente se equivocou, porque este número se refere ao crescimento da Alemanha no segundo trimestre deste ano em relação a igual período de 2013. 

O clima voltou a esquentar entre Dilma e Miriam quanto ao desemprego no País. Aparentando impaciência, a presidente chegou a dizer que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, não mede desemprego. Contudo, o Pnad calculou a taxa de desemprego no Brasil em 7,1% no primeiro trimestre deste ano.

Miriam e Dilma voltaram a divergir sobre o desemprego entre jovens de 18 e 24 anos. A jornalista disse que se encontrava na faixa dos 13,7%, número confirmado pela Pnad.  A presidente rebateu o número número afirmando que "temos a melhor taxa de desemprego, de 4,9%". "Ninguém no mundo tem isso", disse, referindo-se ao desemprego em geral.

Além de Miriam, participaram da entrevista os jornalistas Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo. Assim como ocorreu na entrevista do Jornal Nacional, Dilma foi interrompida várias vezes e deixou claro sua impaciência. Durante algumas respostas, Dilma pediu "tempo" para responder e para "completar o raciocínio".

Após a entrevista, a TV Globo fez um esclarecimento no ar para deixar claro que Miriam estava correta ao falar do desemprego entre os jovens. Ou seja, 13,7% dos que têm entre 18 e 24 anos e procuraram emprego não encontram. A taxa não registra aqueles que estudam e não procuram trabalho.

Dilma abriu a série de entrevistas ao Bom Dia Brasil com os candidatos à Presidência. Nesta quarta será a vez do tucano Aécio Neves.

Bate-rebate

Desemprego: Míriam Leitão diz que a “taxa de desemprego (entre jovens) é de 13,7%”. “Aí não entra quem está estudando e não está procurando emprego.” Dilma contesta: “Não, não é isso. Isso é taxa de ocupação, Míriam, não é taxa de desemprego” A jornalista diz: “13,7, taxa de desemprego da Pnad.” E Dilma: “A Pnad não olha desemprego, olha taxa de ocupação”

EUA: Dilma diz a Míriam: “você sabe que deflação hoje é o grande problema...”. Míriam: “Eles não estão com deflação. Candidata, eles estão com inflação de menos de 2%, não com deflação.”

Alemanha: Miriam diz que o país “cresce 1,5%; nós, 0,3%.” E Dilma rebate: “Não, a Alemanha não está crescendo 1,5%. A Alemanha está crescendo 0,8%.”

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