Dilma elogia Temer, mas não cita dobradinha em 2014

A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem uma "longa vida" da parceria entre PT e PMDB, disse fazer uma "dobradinha que se completa" com o vice, Michel Temer, mas não deixou explícita a permanência dele na chapa da reeleição, em 2014. Dilma prestigiou a convenção do PMDB que reconduziu Temer para o comando da legenda. Para os peemedebistas, porém, ela poderia ter destacado o compromisso de manter Temer como vice, em 2014, o que não ocorreu.

EDUARDO BRESCIANI , RAFAEL MORAES MOURA , DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

03 de março de 2013 | 02h07

"O convite do PMDB para estar aqui ofereceu uma oportunidade extraordinária para que nós juntos possamos celebrar essa parceria sólida, produtiva e que sem dúvida alguma terá uma longa vida", disse Dilma.

Em vários trechos de seu discurso a presidente fez deferências ao vice, mas, ao não citar a repetição da dobradinha com Temer na chapa, em 2014, na prática deixou aberta a porta para o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Nos últimos dias, Campos - que tenta se cacifar para 2014, inclusive com a intenção de disputa o Planalto contra Dilma - criticou a antecipação da disputa por parte do PT.

Dilma elogiou a capacidade de articulação política de Temer, as relações dele com outros poderes e setores da sociedade e sua seriedade. "O vice-presidente Michel Temer é um grande parceiro que divide a responsabilidade de governar o país. Com ele nós formamos a chamada dobradinha que se completa e se complementa. Só tenho a agradecer ao trabalho, a solidariedade, a competência e a parceria."

Em seu discurso, Dilma procurou destacar semelhanças entre o seu PT e o PMDB. Afirmou que ambos são frutos da luta a favor da democracia e das causas sociais. Ao citar quadros históricos do PMDB, ela mencionou Tancredo Neves e citou trecho do discurso que ele tinha preparado para a posse na presidência da República em que enfatizava o combate à miséria. Tancredo é avô de Aécio Neves, nome que o PSDB pretende lançar para enfrentar Dilma.

Crítica à oposição. A presidente fez ainda ataques à oposição ao falar da economia. Ela afirmou que "crises menores" levaram o País ao FMI no passado e que as medidas adotadas pelo governo vão garantir crescimento econômico. "Mais uma vez, meus queridos amigos, os mercadores do pessimismo vão perceber, vão perder como perderam quando previram o racionamento de energia. Mais uma vez os que apostam todas as fichas no fracasso do País vão se equivocar. Torcer contra é o único recurso daqueles que não sabem agir a favor do Brasil. Em tudo que foi feito, é normal que tenhamos enfrentado interesses divergentes que estavam acostumados ao passado", atacou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode comparecer à convenção nacional do PMDB, mas enviou uma carta lida pelo presidente do PT, Rui Falcão. Lula elogiou a aliança entre a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer, enalteceu as competências do líder peemedebistas e olhou para o futuro: "Lado a lado, com Dilma, garantiremos conquistas ainda maiores".

Lula destacou a participação de Temer no governo federal e afirmou que ele "tem cumprido papel especialmente significativo". Disse ainda apostar "em muitas outras vitórias" do partido. Mais um indicativo de que a chapa PT-PMDB deve ser repetida na próxima disputa eleitoral.

Além dos recados para tentar minimizar a ameaça do PSB, Lula usou sua mensagem para relembrar o "importante papel" do PMDB na superação do autoritarismo da ditadura militar e pela redemocratização do País.

Nos discursos dos peemedebistas, o tom foi de garantir a vaga de vice para Temer. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi um dos mais enfáticos. "Insatisfações existem, mas não podemos esquecer que o PMDB foi o partido que ensinou ao Brasil só ser possível fazer transformações fazendo aliança e nós temos essa aliança sólida que adversários tentam destruir. Essa alianca é Michel Temer e Dilma". Temer também defendeu a manutenção da parceria para a próxima eleição. "Devemos caminhar em 2014 da mesma forma que caminhamos agora para o bem de todo Brasil."

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