Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Dilma elogia Kassab por unir 'pessoas diferenciadas'

Presidente afaga prefeito, que cita 'convergências com o PT'; para Rui Falcão, não é preciso 'dar explicações a eleitor' se aliança vingar

Bruno Boghossian, do estadão.com.br, Anne Warth, da Agência Estado, Elder Ogliari

26 de janeiro de 2012 | 03h06

Em meio às negociações entre PT e PSD para a formação de uma aliança nas eleições municipais de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff adotou publicamente nessa quarta-feira, 25, uma postura de aproximação com Gilberto Kassab ao elogiar a capacidade do prefeito paulistano de "agregar" e criar vínculos com "as pessoas mais diferenciadas". O gesto reflete a disposição de lideranças petistas de se aproximar de Kassab, mas é uma afronta aos movimentos sociais do Estado que integram a base do PT.

Enquanto Dilma trocava afagos com o prefeito em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, dizia em Porto Alegre que a decisão sobre se aliar ou não a Kassab caberá exclusivamente à direção paulistana do partido: "Não temos nada a explicar para o eleitor a não ser apresentar nosso programa de mudança e a conjuntura eleitoral vai permitir mostrar nossa proposta à cidade", reiterou, apesar de se dizer contra a aliança.

Dilma recebeu de Kassab a Medalha 25 de Janeiro. "Queria dirigir um cumprimento especial e um agradecimento a essa figura capaz de agregar, capaz de criar vínculos fraternos e republicanos com as pessoas mais diferenciadas, que é o prefeito Gilberto Kassab, a quem sou muito grata por essa honraria", afirmou ela.

Kassab aproveitou a cerimônia para fazer um aceno generoso ao governo federal. Apesar de declarar que seu partido é independente, o PSD se aproxima da base governista nas votações do Congresso. "A senhora sabe o quanto todos nós torcemos e trabalhamos pelo seu sucesso. O sucesso do nosso governo é o sucesso do Brasil", disse. "Creia: eu expresso o sentimento dos 11 milhões de brasileiros que moram na cidade de São Paulo."

'Convergência com o PT'. Ignorando resistências de parte do PT da capital a sua gestão, o prefeito reafirmou que o PSD é "de centro", mas apresenta convergência "em alguns aspectos" com o PT. "Tanto é que temos diversas alianças em diversos municípios brasileiros."

O presidente do PT evitou polemizar sobre a discussão de aliança com o PSD. Para Rui Falcão, os petistas são a terceira opção de Kassab: "Ele tem nos colocado como terceira opção, depois de José Serra e Guilherme Afif Domingos".

O prefeito confirmou que a prioridade do PSD é lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos à Prefeitura, mas afirmou que não descarta alianças - seja com PT ou com o PSDB.

"Se identificarmos a impossibilidade (de candidatura própria), é evidente que o partido vai passar a analisar alianças possíveis, em que possamos apoiar os candidatos que integrarão as alianças. Isso não exclui o PT e também não exclui o PSDB."

As resistências ao acordo com Kassab partem dos movimentos sociais das áreas de habitação e saúde, ligados ao PT e a partidos de esquerda, que ontem protestaram contra o prefeito atirando ovos contra ele no centro.

No dia 13 de janeiro, em visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Kassab teria proposto a indicação de um vice, pelo PSD, à chapa de Fernando Haddad, candidato a prefeito pelo PT. Lula sugeriu ao diretório municipal que discutisse a questão "com tranquilidade".

Cordiais. O ambiente de cordialidade da cerimônia se estendeu aos tucanos. A presidente dividiu o palco, cumprimentou e trocou sorrisos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sentada entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), Dilma trocou mais palavras com o tucano do que com o peemedebista.

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