Dilma é 'reprovada' como cabo eleitoral do PT

Ministra é apontada como sucessora de Lula; das 22 cidades que visitou, em 13 o candidato do governo perdeu

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 19h27

Apontada como candidata do Planalto à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff , foi reprovada no teste de cabo eleitoral do petismo. Para ganhar visibilidade e musculatura política, a ministra Dilma engajou-se em várias campanhas Brasil afora, subindo em palanque de candidatos do PT e da base governista. No entanto, das 22 cidades que Dilma visitou durante a campanha, em 13 delas o candidato do governo perdeu.   Auxiliares do presidente, no entanto, tentam minimizar este resultado, alegando que, nem mesmo Lula, com os seus 80% de popularidade, conseguiu transferir votos como imaginavam. Justificam que o objetivo principal da ida de um ministro a um palanque é prestigiar o candidato e não transferir votos, até porque, no caso da ministra Dilma, por exemplo, ela não tem votos. "Ministro vai lá para dar apoio político. Ministro não transfere voto", disse um ministro.   A explicação do Planalto ainda é que esta foi uma eleição para prefeito, que ninguém votou em A ou B porque ele era o candidato da ministra. No Palácio, o discurso oficial é que a base saiu vitoriosa das eleições. "O PFL perdeu 300 prefeituras, o PSDB mais de 90, o PPS desapareceu, e os partidos governistas ganharam nas maiores cidades", diz um auxiliar direto do presidente, ressalvando que no caso de São Paulo o DEM apenas manteve a prefeitura, seguindo o fenômeno que regeu este pleito.   No segundo turno, a ministra visitou 12 cidades e o candidato apoiado por ela, perdeu em sete delas. As sete cidades visitadas por Dilma e onde o seu candidato perdeu foram: São Paulo, São José do Rio Preto, Santo André, além de Porto Alegre, Pelotas, Cuiabá e São Luiz. O seu candidato ganhou, no entanto, em São Bernardo, Guarulhos, Contagem, Rio de Janeiro e Canoas.   No primeiro turno, a ministra Dilma foi apoiar candidatos em 10 cidades e eles perderam em seis delas. Perdeu em Diadema, Caxias do Sul, Mossoró, Natal, Blumenau e Criciúma. E ganhou em Joinville, Osasco, Recife e Vitória.   O senador Aloísio Mercadante (PT-SP) minimizou o fato de candidatos apoiados pela ministra Dilma terem perdido as eleições ironizando. "Lá em São Paulo, o Serra (governador José Serra, do PSDB) foi em todos (cidades do estado) e nós tivemos o maior número de votos em todas elas", declarou. "O Serra foi em São Bernardo, em Mauá, em Guarulhos, em Bauru e ele perdeu nas quatro", prosseguiu ele, sem querer responder como justificaria o caso de outras cidades em São Paulo, nas quais a ministra Dilma esteve e o partido apoiado por ela perdeu a eleição. "Em São Jose do Rio Preto, por exemplo, perdemos por 1%", minimizou ele, evitando falar mais sobre a participação da ministra.

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