André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma e PT discordam sobre 'fator Lula' em campanha

Temendo ser ofuscada, presidente resiste a colocar seu antecessor no papel de âncora da campanha À reeleção

Vera Rosa, Ricardo Della Coleta e Ricarto Brito, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 05h00

 O tamanho da participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Dilma Rousseff à reeleição é objeto de divergências entre o PT e o Palácio do Planalto. Disposta a construir sua própria imagem sem a alcunha de "criatura", Dilma resiste a ter Lula como âncora da campanha. Para a presidente, o padrinho político deve ser o complemento, mas não o protagonista de sua corrida rumo ao segundo mandato.

A cúpula do PT discorda dessa avaliação, mas "pisa em ovos" na relação com a presidente. Reunidos na última terça-feira em Brasília, dirigentes da Executiva Nacional do partido ouviram a apresentação de uma especialista em pesquisas sobre o cenário eleitoral e saíram de lá com a convicção de que Dilma deve colar cada vez mais sua imagem à de Lula.

Na série histórica de pesquisas, um dado comparativo entre os "avalistas" dos candidatos chamou a atenção. De todos os cabos eleitorais analisados, Lula tem o maior poder de transferência de votos, de acordo com os levantamentos que chegaram ao comitê da reeleição.

O problema é que Dilma, embora com dois atos de campanha previstos com o ex-presidente nesta semana, quer mais independência em relação ao “criador” e tenta "vender" uma marca própria.

Em conversas reservadas, dirigentes do partido dizem que Dilma tem receio de ser ofuscada e, por isso, a participação de Lula está sendo "dosada" pelo comitê da reeleição. O ex-presidente, porém, faz o que quer.

Ruas. As divergências não são apenas na forma, mas no conteúdo da campanha. Se dependesse de Lula, Dilma estaria nas ruas há muito tempo, principalmente em São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais, onde ela enfrenta a disputa mais acirrada com o PSDB. No Nordeste, Lula acredita que resolve sozinho a parada. A presidente, no entanto, sempre preferiu apostar na propaganda eleitoral de TV, a partir de 19 de agosto, para melhorar o seu desempenho. Dilma só começou a beijar criancinhas na segunda-feira, quando o Jornal Nacional, da TV Globo, inaugurou a cobertura diária dos candidatos.

Naquele dia, ela visitou uma Unidade Básica de Saúde, em Guarulhos, para promover o programa Mais Médicos. Mas não avisou o candidato do PT em São Paulo, Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde que sonha em aparecer ao seu lado para aumentar seus índices de intenção de voto nas pesquisas. O desencontro irritou Lula, que se queixa por não estar sendo ouvido como gostaria sobre a condução da campanha.

Um sintoma do descontentamento de Lula é a sua ausência nas reuniões da coordenação de campanha com Dilma, como ocorreu na segunda-feira, no Palácio da Alvorada.

Agenda.  Nesta quarta-feira a presidente participará de uma sabatina na Confederação Nacional da Agricultura, em Brasília, onde também estarão Aécio e Campos. Na quinta, ela e seu "avalista" aparecerão juntos, mais uma vez, em São Paulo. Depois da ação de Lula, Dilma receberá o apoio de seis centrais sindicais, em ato no Ginásio da Portuguesa.

No sábado, Dilma vai fazer uma caminhada em Osasco, reduto do PT, ao lado do ex-presidente e de Padilha. Se dependesse dela, no entanto, as aparições com Padilha seriam mínimas, porque a candidatura do petista em São Paulo não consegue decolar.

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