Dilma e Campos selam acordo para evitar racha

Em jantar no Alvorada, presidente se compromete a não fazer campanha neste ano e governador de Pernambuco reafirma apoio do PSB à petista

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff e o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fizeram um "pacto pela paz" em jantar de mais de três horas na noite de segunda-feira, no Palácio da Alvorada. Dilma se comprometeu a não atuar em campanhas de cidades em que PT e PSB romperam alianças, como em Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. Já Campos, que recentemente fez críticas públicas à conduta do PT como aliado nacional, disse que manterá o apoio à provável campanha à reeleição da presidente em 2014.

"Nossa tarefa é ajudar a presidente Dilma a fazer um grande governo, criando as condições para ser reeleita", disse Campos, logo depois do jantar, que terminou no início da madrugada.

Campos chegou a dizer que é difícil para o PSB lançar um candidato à sucessão de Dilma em 2014. "Nós não entendemos como o PSB, a esta altura, vai ter um candidato se não existe esse campo político para ser ocupado por nós." O governador disse que, se o partido tivesse optado por ter um candidato, teria de sair do governo agora.

Para ele, "alguém quer vender à presidente Dilma um inimigo oculto, criar e fabricar um inimigo, para, em troca, querer oferecer um apoio fisiológico e atrasado". Questionado se se referia ao PMDB como o fator "intrigante", o governador se esquivou: "Vocês sabem quem são, vocês falam todos os dias com eles".

Em seguida, Campos disse que Dilma pode ter confiança no seu partido. "Eu tenho certeza que ela confia mais no PSB do que em outros aliados", disse.

Sobre a intenção de os partidos aliados usarem a figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas pelo País, Campos disse que espera neutralidade do velho parceiro.

"Uma liderança do tamanho de Lula não pode ser puxada para qualquer disputa municipal, sobretudo quando tem pessoas que acompanharam de um lado e de outro." Para Campos, "Lula é uma liderança que está acima dos partidos. É maior do que o PT, maior do PSB, PC do B e PDT juntos. Lula é uma referência do povo e não se pode transformar o Lula em um instrumento de lutas políticas passageiras".

O jantar de Dilma com Campos contou com a presença dos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), além do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). Bernardo contou que Dilma e Campos tentaram identificar a origem das rusgas entre PT e PSB. Segundo ele, existem queixas de todos os lados. Por isso, afirmou o ministro, tanto a presidente quanto o governador concluíram que o momento não é de ficar desfiando problemas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.