Dilma doa indenização a grupo antitortura

A presidente Dilma Rousseff vai doar para o grupo Tortura Nunca Mais a indenização que receberá do governo do Rio de Janeiro por ter sido interrogada e torturada no Estado, durante a ditadura militar. O valor da indenização não foi divulgado, mas informações que circulavam ontem davam conta de que a indenização é de R$ 20 mil. Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, serão contempladas com a indenização no Rio 316 pessoas.

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h05

A doação, que começará a ser recebida em junho, foi anunciada dois dias depois do contundente e emocionado discurso da presidente Dilma, na cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, quando falou que o grupo irá "liderar o esforço da sociedade brasileira em busca da verdade histórica, da pacificação e da conciliação nacionais".

Este é mais um gesto da presidente Dilma na sua disposição de buscar o que chamou de "verdade histórica". Durante muitos anos, quem fez a busca pela verdade, no entendimento da presidente, foi exatamente o Grupo Tortura Nunca Mais.

O grupo foi fundado em 1985, por iniciativa de ex-presos políticos que foram torturados durante o regime militar e por familiares de mortos e desaparecidos políticos, que buscavam explicações e informações sobre o paradeiro das vítimas.

Doações. De acordo com informações da assessoria do Palácio do Planalto, Dilma já recebeu e doou uma outra indenização que recebeu do governo de São Paulo, que também repassou ao Grupo Tortura Nunca Mais.

No Rio Grande do Sul, na década de 1980, Dilma deu entrada em processo para ter direito a voltar a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul, onde é economista e havia sido cassada durante o governo militar, o que foi atendido.

As ações foram ingressadas no Rio de Janeiro, porque foi onde Dilma foi presa, e em São Paulo, para onde foi transferida depois. Em dezembro de 2006, a Comissão de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro aprovou pedido de indenização por parte de Dilma e de outras 18 pessoas, presas em dependências de órgãos policiais do governo estadual paulista na década de 1970.

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