Dilma do São Pedro, Aécio da Savassi

Dilma do São Pedro, Aécio da Savassi

Na década de 60, o menino Aécio e a adolescente Dilma coabitaram a abastada região sul de BH

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2014 | 18h24

 

Na atual e acirrada disputa pela Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) encarnam hoje dois polos da política nacional. Mas a presidente que tenta conquistar mais um mandato para o lulopetismo e o senador que luta para recolocar a legenda tucana no comando do Palácio do Planalto têm uma origem comum: embora 12 anos separem Dilma de Aécio, os dois conviveram - na infância dele e na adolescência dela - na tradicional e abastada região sul de Belo Horizonte. 

No início da década de 1950, Dilma era uma menina séria e ávida por livros que quase não era vista nas ruas do bairro São Pedro, então uma área nobre predominantemente residencial e bem tranquila da capital mineira. 

Já na década seguinte, Aécio, que nasceu em 1960, cresceu a poucos quarteirões dali, na Savassi, um bairro novo, que rapidamente se transformou em uma das regiões mais prestigiadas da cidade.

Na infância do garoto de perfil expansivo, Belo Horizonte tinha 693 mil habitantes, quase o dobro da população da cidade quando Dilma nasceu, em 1947. A menina que décadas depois se tornaria presidente viveu seus primeiros anos no número 469 da rua Major Lopes - que ainda pertence à família. Iniciou os estudos no Colégio Nossa Senhora de Sion, escola destinada às filhas da elite da capital mineira e onde Dilminha, como era conhecida, e seus colegas ainda tinham aulas de latim e francês.

A menos de um quilômetro da residência dos Rousseff, que ainda pertence à família e hoje abriga um buffet, o pequeno Aécio vivia na casa do avô, Tancredo Neves, localizada na Praça Diogo de Vasconcelos. Era de lá que ele saía diariamente para frequentar as aulas no Colégio Zilah Frota, no bairro Mangabeiras, outra escola das famílias abastadas da cidade e coincidentemente localizado nos fundos do Palácio Mangabeiras, residência oficial do governador de Minas Gerais - que viria a ser ocupado pelo próprio Aécio entre 2003 e 2010. 


“Eles devem ter se cruzado dezenas de vezes”, acredita o compositor e produtor musical Pacífico Mascarenhas, de 79 anos, integrante da turma frequentadora da antiga Padaria Savassi, vizinha à casa de Tancredo e que veio a dar nome à região. 

Mas há muito mais em comum entre os dois candidatos além do tipo de educação que receberam em Belo Horizonte. Eles também frequentavam o Minas Tênis Clube, o mais tradicional da capital e do qual os pais de Dilma, o imigrante búlgaro Pedro Rousseff, e de Aécio, o político Aécio Cunha, eram sócios. A jovem Dilma era titular do clube, usado pelo menino Aécio para praticar natação. Os dois foram frequentadores também do Cine Pathé, tradicional cinema que funcionou na Savassi de 1948 até meados da década de 1990. 

“A gente ia muito ao Cine Pathé. Inclusive porque os filmes de arte, mais interessantes, iam para lá, e também os filmes mais políticos. O Pathé era uma referência cultural muito forte”, recorda o cineasta Helvécio Ratton, 65 anos, amigo de Dilma, que começou a andar com a futura presidente no fim da década de 1960, quando ambos já militavam na política. 

Na adolescência, a diversão mais comum de Dilma eram os bailes da região. Ainda criança, o atual senador já nutria paixão pelo futebol e não perdia os jogos do Cruzeiro no Mineirão ou mesmo as “peladas” das quais o pai participava com veteranos do time do coração. “Aos sábados os ex-atletas faziam uma pelada e ele (Aécio Cunha) participava. Depois ficavam tomando uma cervejinha e cantando. Ele sempre trazia o Aecinho”, recorda José Francisco Lemos Filho, de 84 anos, colega de Cunha no conselho do clube. Como na política, Dilma e Aécio divergem no futebol. A presidente se declara torcedora do Atlético-MG. 

Aos 10 anos o tucano foi morar no Rio de Janeiro, onde passou a adolescência e juventude, até retornar a Belo Horizonte para entrar de cabeça na política como secretário particular do avô Tancredo Neves, eleito governador. 

Dilma fez um caminho inverso. Depois de ingressar na Escola Estadual Governador Milton Campos - local onde Aécio atualmente vota - e iniciar a militância contra a ditadura, a atual presidente passou a viver na clandestinidade e deixou a capital mineira. 

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