Dilma diz que País tem de superar a discriminação

Presidente defende a diversidade em discurso em Salvador; Barbosa afirma que caso Feliciano é exemplo de democracia

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR , FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2013 | 02h12

A presidente Dilma Rousseff aproveitou ontem seu discurso na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, para dizer que o Brasil vive "uma democracia que respeita a diversidade, que é contra a discriminação". Dilma falou genericamente. Já o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, falou abertamente sobre a polêmica envolvendo o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Ele disse numa palestra em Brasília que a chegada do à Comissão de Direitos Humanos da Câmara e os protestos contra ele são exemplos de democracia.

Indireta. Durante seu discurso, Dilma lembrou que o bairro no qual a arena está instalada, Nazaré, é sede de algumas das mais importantes igrejas católicas de Salvador, além de reunir centros de tradições judaicas e islâmicas e de ter esculturas que homenageiam os orixás do candomblé. "O bairro de Nazaré tem construída toda essa capacidade imensa do Brasil de conviver com a diversidade."

Para a presidente, a luta contra a discriminação no País está ligada ao crescimento do padrão de vida da população. "Um país que sabe que é capaz de lutar pela superação da pobreza tem de lutar pela superação de todas as formas de discriminação", disse. "Eu sempre destaco, quando me refiro à discriminação, a questão do acesso das populações marginalizadas, o problema das cotas raciais e sociais às universidades. Queria dizer que este país só é respeitado no cenário internacional porque ele se respeita e, por isso, talvez sejamos o país que melhor utilizou o crescimento econômico para elevar o padrão de vida de sua população."

Dilma também comparou o Brasil de 2013 ao de 1950, quando o País foi sede pela primeira vez da Copa do Mundo de Futebol. "Naquela época, à nossa frente ainda teriam anos horríveis de fechamento e ditadura. Hoje não, somos uma democracia consolidada, uma democracia que cresce e, diferentemente do passado, quando cresce compartilha os frutos desse crescimento com a população e seu povo, com todos os cidadãos e cidadãs."

Direta. Em palestra na Universidade de Brasília (UnB), Barbosa foi questionado sobre Feliciano. "Eu sabia que viria alguma saia justa", ironizou. "A minha resposta é de quem viveu durante anos e anos nesse ambiente de liberdade. É simples: o deputado Marco Feliciano foi eleito pelos seus pares para assumir um determinado cargo dentro do Congresso Nacional. Perfeito", disse. "Agora, a sociedade tem direito de se exprimir contrariamente à presença dele neste cargo. Isso é democracia", concluiu.

Feliciano é alvo de uma séria protestos por declarações tidas por homofóbicas e racistas feitas no Twitter em 2011. Ele afirma, entre outras coisas, que os africanos descendem de um ancestral "amaldiçoado" pelo personagem bíblico Noé.

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