Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Dilma diz que imprensa não produz provas para a Justiça

Presidente afirmou que o jornalismo investigativo produz elementos, mas quem tem de produzir prova judicial é a PF e Ministério Público

Tânia Monteiro e Renata Veríssimo, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2014 | 20h41

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua entrevista neste domingo, 21, para explicar a frase dita na última sexta-feira que "não é função da imprensa investigar, mas divulgar informações".  Segundo Dilma, o que ela quis dizer é que "o jornalismo investigativo pode até fornecer elementos", mas quem tem de produzir a prova judicial é a investigação oficial, feita pela Polícia Federal e Ministério Público. 

"Ela (investigação oficial) tem de fazer a prova porque se ela não fizer a prova, você não consegue condenar ninguém. Assim é o processo", justificou a presidente Dilma, ao citar como exemplo, o caso Watergate, uma denúncia de corrupção realizada por jornalistas no governo norte-americano, na década de 70, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon.

Com uma "cola" em mãos, em cartões impressos, para orientar seus argumentos, Dilma disse:  "Vocês fizeram uma confusão danada", queixou-se ela, voltando a defender as provas dos órgãos oficiais e falando em "maior rapidez da investigação". Dilma quer que os crimes sejam "muito mais claramente tipificados", porque, segundo ela, "têm muitos crimes que não estão no código, como o de caixa 2", o que dificulta o seu enquadramento e a punição dos criminosos, gerando a impunidade. "A imprensa investiga. Investiga para informar, investiga para até fornecer prova, que não é prova, né gente, o nome certo é indício", comentou Dilma, ao pedir "aperfeiçoamento institucional e legal".

Sem teto. A presidente Dilma Rousseff defendeu também o direito de dar entrevistas no Palácio da Alvorada, repetindo um procedimento que seus antecessores, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, já faziam e considerou "estranha" esta discussão. O presidente do Tribunal Superior, José Antônio Dias Toffoli, classificou o uso do palácio residencial como "vantagem indevida" para servir de cenário de entrevistas e programa eleitoral, infringindo a legislação.

"Eu respeito muito a posição do presidente do Tribunal, mas todos os meus antecessores usaram o palácio porque, caso contrário, serei uma sem teto, eu não terei onde dar entrevista", desabafou a presidente Dilma, lembrando que não tem casa em Brasília. "Senão irei pra rua dar entrevista. Eu não tenho outro local". Questionada se não poderia fazê-lo no comitê de campanha, a petista insistiu: "todos os presidentes que antecederam usaram o Alvorada, deram entrevista aqui e isso não causou problema pra ninguém. Então, espero ainda uma posição do TSE esclarecendo sobre este assunto".

Dilma observou que ela, por ser presidente e candidata desempenha os dois papéis. Em seguida, justificou que fica no Alvorada porque "não pode fazer nada no Palácio do Planalto durante a semana". Dilma ficou 25 dias sem ir ao gabinete de trabalho e foi na sexta-feira, pela primeira vez este mês, para receber atletas. "Por isso, quando estou aqui, trago vocês pra cá (Alvorada), para eu não ficar me deslocando", comentou, dizendo que o seu "dia não é igual a um dia normal" e desempenha as duas funções. "Eu trato sistematicamente de problemas de governo. Eu não parei de fazer isso", declarou avisando que "é óbvio" que vai acatar a decisão da Justiça eleitoral em relação ao tema.






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