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Dilma diz que fez mais que Marina no combate ao desmatamento na Amazônia

Presidente concede entrevista coletiva após participar da Cúpula da Clima, fórum das Nações Unidas que reune chefes de Estado do mundo inteiro para discutir a política climática

Rafael Moraes Moura, enviado especial, e Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 14h35

Atualizada às 22h33

Nova York - A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 23, em entrevista, que fez mais pelo combate ao desmatamento da Amazônia que a adversária Marina Silva. De acordo com Dilma, os números da gestão da ambientalista não são “excepcionais”. Marina foi ministra do Meio Ambiente no governo Luiz Inácio Lula da Silva de janeiro de 2003 a maio de 2008. 

“Ela (Marina) saiu (do governo) em maio de 2008 e estavam os km² (desmatados anualmente) em 12.911. Se você pegar o ano anterior, estava em 11 mil. Teve subida de 2007 para 2008. Hoje, estamos em 5.891 km²”, disse Dilma, mostrando aos repórteres um gráfico com dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Dilma falou com jornalistas após participar da Cúpula da Clima, fórum das Nações Unidas que reuniu chefes de Estado do mundo inteiro para discutir ações ambiciosas para conter o aquecimento global. Questionada se os dados de desmatamento indicavam que ela fez mais que Marina no combate ao desmatamento, Dilma respondeu: “Olha, se você falar em termos absolutos, sem dúvida que sim, agora ela (Marina) estava numa trajetória e eu estou em outra.” 

Marina tem reforçado nos últimos dias o discurso contra a política ambiental da presidente. No domingo, afirmou que Dilma “é um retrocesso” na agenda do desenvolvimento sustentável e alertou que o “desmatamento da Amazônia começou a crescer após quase dez anos de redução”. No programa eleitoral, a ex-ministra do Meio Ambiente acusou Dilma de não ter dado prioridade para a questão. 


“Quero saber onde está o retrocesso. Porque quem definiu de 36 a 39% (redução nas emissões de CO²) voluntariamente, quem reduziu em 650 milhões de toneladas de CO² emitidos na atmosfera por ano, foi no meu governo e o governo do presidente Lula e não foi na época dela”, rebateu a petista. “Ela (Marina) deu a contribuição dela, o que acho interessantíssimo é que os dados dela não são excepcionais. Os nossos, em termos internacionais, são excepcionais” 

Indagada se seria possível separar a política ambiental da Marina e a do governo Lula, Dilma admitiu que não. “A política ambiental do Lula, como eu disse, foi do inicio de 2003 até o final de 2010. Até 2008 foi coordenada pela ministra Marina, tivemos altos, e baixos, tivemos alto porque em 2004 nós tivemos a segunda maior taxa de desmatamento que foi 27 mil (27.772 km²)”, disse a presidente. “Ao contrário do que alguns dizem, caímos (a área desmatada). Se ela está dizendo que não caiu, ela está mentindo. Nós caímos. Tanto no governo Lula em relação ao FHC, quanto eu caí em relação ao Lula. Ninguém pode ficar estacionado.” 

Em outro momento, no entanto, a presidente reconheceu o desmatamento na Amazônia Legal sofreu um “aumentinho” recente. De acordo com o Inpe, houve uma taxa de desmatamento de 5.891 km² entre agosto de 2012 e julho de 2013, um crescimento de 29% quando comparado ao período anterior. “Agora deu um aumentinho, em 2014 vamos continuar reduzindo”, prometeu Dilma. 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que os números de combate ao desmatamento do governo Dilma “são imbatíveis”. “Fala-se que aumentou o desmatamento de 2012 para 2013, mas não se fala que aumentou de 2007 para 2008 e que nós temos as quatro menores taxas (de desmatamento da série histórica)”, disse. 

Discurso. Em um breve discurso na Cúpula do Clima, Dilma destacou ontem que o Brasil tem tido “resultados extraordinários” ao conseguir combinar a diminuição da pobreza e da desigualdade social com a proteção do meio ambiente. 

“As reduções voluntárias do Brasil contribuem de maneira significativa para a diminuição das emissões globais. O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados”, disse, usando retórica eleitoral. 

Dilma chegou por volta de 4h desta terça a Nova York, dormiu cerca de três horas e acordou cedo para discursar na conferência. Na hora do almoço, saiu de carro para ir a um restaurante próximo ao hotel onde está hospedada e na volta, diante do engarrafamento na região, largou o motorista e fez a parte final do percurso a pé. Nesta quarta, ela abre, também com discurso, a Assembleia Geral da ONU.

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