Dilma diz não temer delação premiada de ex-diretor da Petrobras

'Tenho absoluta certeza que isso não afeta nem a mim, nem a pessoas que eu tenho elevada consideração e grande apreço', disse a presidente

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 12h53

Em sabatina promovida na manhã desta sexta-feira, 12, pelo jornal O Globo, a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) disse não temer "de nenhuma forma" a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

"Eu não temo de nenhuma forma esse tipo de revelação. Sabe por quê? Eu tenho absoluta certeza que isso não afeta nem a mim, nem a pessoas que eu tenho elevada consideração e grande apreço", disse Dilma, que voltou a defender a punição dos acusados.

"Agora todos os que forem afetados terão de ser punidos, tudo que for emergir dessa investigação que combina Polícia Federal, MP (Ministério Público) e Judiciário, da primeira instância até a mais alta Corte, isso será o que transformará o Brasil num País que pune e investiga."

Na delação premiada, o ex-diretor - preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal -, acusou políticos do PT, PMDB e PSB de participação no desvio de dinheiro da empresa. As denúncias causaram preocupação no Palácio do Planalto e na coordenação da campanha de Dilma porque o escândalo pode ressuscitar a memória do mensalão, que atingiu o PT e o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme revelou a revista "Veja", um dos nomes citados no depoimento é o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A lista inclui ainda o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), conforme antecipado na sexta-feira passada pelo Estado.

Impunidade. A presidente aproveitou o tema para voltar a afirmar que o seu governo foi mais eficiente no combate à corrupção. "Enquanto crimes de corrupção forem impunes, e no Brasil foram muito impunes, essa história de que aumentou a corrupção (hoje) é que quando você não investiga não aparece. Não aumentou a corrupção (no meu governo), aumentamos a investigação. Não empurramos para baixo do tapete. Não engavetamos processos", destacou a petista.

Na avaliação de Dilma, o governo do PT garantiu "autonomia" à Polícia Federal e criou leis para inibir malfeitos, como a lei que pune o corruptor e a Lei de Acesso à Informação.

CPI. Questionada sobre a atuação da CPI mista da Petrobrás, Dilma disse que a comissão tem sido "mais uma arma politica do que de investigação". 

"Todo ano eleitoral tem uma CPI no nosso governo, pelo menos contra a Petrobrás. E outras CPIs necessárias não andam. Não houve uma CPI sobre os metrôs, a história da Alstom (suspeitas de propinas envolvendo a multinacional e o metrô de São Paulo), não há prosseguimento no chamado mensalão mineiro", disse. 

"Não vejo por que a CPI substitua a PF (Polícia Federal) ou o Ministério Público", prosseguiu a candidata à reeleição.

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