Dilma diz defender investigação sobre Petrobrás 'sem manipulação política'

No dia seguinte aos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, presidente afirmou considerar 'estarrecedora' a divulgação no 'meio de uma campanha eleitoral' e que não se pode usar o caso de forma 'leviana'

Ricardo Della Coletta e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 15h52

Brasília - Um dia depois de serem reveladas as gravações com as declarações do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, nas quais os detalham de um suposto esquema de corrupção na Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff afirmou que defende as investigações "sem manipulação política". Em entrevista nesta sexta-feira, 10, a petista e candidata à reeleição disse considerar "estarrecedora" a divulgação do conteúdo do depoimento dos principais alvos da Operação Lava Jato durante a campanha eleitoral.

Dilma sugeriu que a divulgação dos depoimentos de Costa e de Youssef e o vazamento de trechos da delação premiada têm objetivo eleitoral. "Para o Brasil é muito importante, para que de fato a gente combata a corrupção, que não se use isso de forma leviana em períodos eleitorais, de forma incompleta". Ela defendeu que as investigações sejam feitas "sem manipulação política ou qualquer outro tipo de intervenção".

Nessa quinta, Costa e Yousseff falaram à Justiça Federal e detalharam suposto esquema de pagamento de propina a três partidos da base aliada do governo envolvendo contratos da Petrobrás. O conteúdo dos depoimentos foi divulgado pela Justiça. No mês passado, como parte do acordo de delação premiada, o ex-diretor também falou sobre as denúncias. Trechos do depoimento, que está sob sigilo judicial, foram divulgados pela revista Veja.

Em coletiva de imprensa antes de embarcar para Porto Alegre, Dilma afirmou que é a única candidata que até o momento lançou "medidas concretas" para combater a impunidade, citando um pacote de cinco medidas anticorrupção prometido pela petista para um eventual segundo mandato. Ela defendeu ainda uma reforma política que inclua a adoção do financiamento público de campanha para "combater a corrupção".

A campanha de Dilma está preocupada com os impactos eleitorais que as delações de Paulo Roberto e de Youssef (alvos da Operação Lava Jato) podem causar. Em audiência, ambos afirmaram que o PT chegava a ficar com 3% do valor de contratos de diretorias da Petrobrás. Os dois falaram ainda sobre o loteamento político em diretorias da petroleira pelo PT, PMDB e PP para superfaturamento e desvio de recursos. Ao iniciar a entrevista, Dilma alegou que o "País todo foi surpreendido" com as gravações e voltou a dizer que demitiu Paulo Roberto da Petrobrás.

Já contando que o tema será explorado pelo adversário na campanha, o senador Aécio Neves (PSDB), a ordem no comitê da presidente é rebater "na mesma moeda": defender que os governos do PT deram autonomia aos órgãos de controle e lembrar acusações de malfeitos dos anos oito anos em que Fernando Henrique Cardoso ocupou o Palácio do Planalto. As novas declarações já foram usadas no horário eleitoral do rádio do tucano, transmitido nesta manhã.

"Tomei medidas para garantir que nem a Polícia Federal nem o Ministério Público tivessem aparelhamentos e que fossem induzidos nesta ou naquela direção", disse a presidente. "Nem sempre foi assim no Brasil".

Ela alegou que a Polícia Federal foi aparelhada pelos tucanos e chegou a ser dirigida por um filiado do PSDB - numa referência a Agílio Monteiro Filho, que chefiou a PF entre 1999 e 2002. Dilma também disse que no governo dos tucanos o Procurador-Geral da República ficou conhecido como "engavetador".

"Só olhar quantos processos de corrupção ele levou a cabo", disparou a petista. "Eu garanti que não houvesse esse tipo de interferência. E por isso a Polícia Federal, no meu período, investigou os crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro e demais crimes financeiros", acrescentou.

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