Dilma diz a sindicalistas que não fará 'demagogia' com fator previdenciário

Dilma diz a sindicalistas que não fará 'demagogia' com fator previdenciário

Em reunião com representantes sindicais, presidente promete retomar debate sobre mecanismo e reafirma que não haverá flexibilização da CLT

Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 13h50

São Paulo - A presidente e candidata Dilma Rousseff disse a sindicalistas que pretende criar uma mesa de negociação tripartite - com trabalhadores, governo e empresários - para voltar a debater o fim do fator previdenciário, mas preferiu não se comprometer em acabar com o mecanismo. "Ela disse: 'Eu não vou enganar vocês porque estou em campanha, não vou dizer que vou acabar com o fator previdenciário, mas vou retomar o processo de debate como fizemos no governo Lula'", relatou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, após deixar a gravação que a presidente fez na manhã desta quarta-feira, 15, com cerca de 200 sindicalistas, em São Paulo.


O vídeo, feito para ser inserido no programa eleitoral de Dilma, mostrará uma espécie de sabatina feita pelos sindicalistas com a presidente.

De acordo com o presidente da UGT, Ricardo Patah, que também participou da gravação, Dilma afirmou que seria "demagogia" prometer o fim do fator previdenciário. O adversário da presidente, o tucano Aécio Neves, chegou a se comprometer em acabar com o mecanismo, mas depois afirmou que, se eleito, vai revê-lo e tentar buscar uma alternativa a ele. O fator é um mecanismo de cálculo do benefício que tem a finalidade de desestimular aposentadorias precoces.

"O compromisso da presidenta, que é um compromisso que não é demagógico, é de que as mesas de negociações continuem para que a gente possa dar passos importantes nas questões trabalhistas", disse.

A falta de canais de diálogo com a presidente foi uma reclamação constante das centrais sindicais durante o governo Dilma.

Patah disse também que a presidente garantiu que não haverá flexibilização da CLT "nem que a vaca tussa". Ele defendeu que as leis trabalhistas devem ser "aprimoradas" sem que haja prejuízo nos benefícios do trabalhador.

Além desses assuntos, Dilma teve de responder quais eram suas propostas e compromissos para a política de reajuste do salário mínimo, para a regulamentação das negociações para os servidores públicos e sobre políticas de proteção a mulher.

Segundo pessoas presentes no encontro, o clima foi descontraído e a presidente se mostrou bastante a vontade com os temas. Ela inclusive repetiu o bordão que criou recentemente e garantiu que não vai mexer nos direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa".

Em relação à política de valorização do salário mínimo, Dilma se comprometeu a mandar um projeto de lei para manter o atual formato de reajuste, que vencerá em 2015, feito com o INPC mais o PIB do ano anterior. A proposta atende a uma demanda dos sindicalistas.

Segundo Juruna, a petista também se comprometeu criar uma data base de negociações para o Servidor público, da mesma forma como acontece com as categorias do setor privado. "Propusermos ter data base também para o servidor público e ela disse que vai topar", afirmou.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse apenas que o encontro desta quarta "cumpriu o seu objetivo".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou no evento. O programa de Dilma com o encontro vai ao ar ainda essa semana.

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