Dilma defende utilização do Fundo Soberano

Dilma defende utilização do Fundo Soberano

Em entrevista a jornalistas em Nova York, presidente explicou que mecanismo foi criado para ser utilizado em período de 'vacas magras'

Rafael Moraes Moura, enviado especial, e Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 13h38

Nova York - A presidente Dilma Rousseff defendeu a criação do fundo soberano brasileiro e afirmou, durante entrevista a jornalistas nesta terça-feira, 23, que é "estarrecedor que questionem a utilização do fundo" neste momento em que o Brasil cresce menos do que na época em que o fundo foi criado, em 2008. "Para que se faz um fundo soberano? É uma coisa muita simples. Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, você tem menos dinheiro", afirmou a presidente.

A fala ocorre um dia após o governo anunciar que, para fechar as contas usará mais R$ 1,5 bilhão do

lucro das empresas estatais, sacará R$ 3,5 bilhões em recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB) e cortará despesas que não dependem de si mesmo. O anuncio foi feito após o governo reduzir pela metade a estimativa de crescimento do PIB neste ano, de 1,8% para 0,9%.

Dilma destacou que a estratégia do então governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi criar fundo soberano em 2008, época em que o País crescia mais, com melhor desempenho e tinha arrecadação tributária maior. "O fundo tem uma característica contracíclica, ou seja, não age a favor do ciclo. Se o ciclo está ruim, ele aumenta o gasto para conter o ciclo. Se o ciclo está bom, ele segura o gasto e faz uma poupança", afirmou, destacando que na época da criação do fundo era ministra-chefe da Casa Civil. "Sei perfeitamente em que condições o fundo foi formado."

"O fundo foi feito porque o governo teve uma política muito, mas muito séria, sistemática, de guardar para o futuro, e agora é hora de usar", declarou Dilma, destacando que agora o País cresce menos que naquela época e que não é possível comparar o Brasil com a Europa, porque o velho continente não tem esse tipo de estratégia.

Nesta terça-feira, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou que, ao usar recursos do fundo soberano para fechar as contas públicas, a presidente Dilma compromete a estabilidade econômica do País. "O uso dos recursos do fundo para socorrer as contas públicas é uma demonstração clara de que o atual governo está comprometendo a estabilidade econômica de nosso País." Segundo ela, o governo errou "a ponto de um fundo que foi criado para ser usado em situação de extrema gravidade agora estar sendo utilizado".

O tucano Aécio Neves também criticou a iniciativa do governo federal. "Ao contrário do que o governo quer fazer crer, o baixo crescimento do Brasil não é resultado apenas da crise internacional. O governo demonizou o setor privado, afastou o investimento e o resultado é esse crescimento pífio", criticou.

Dilma declarou hoje na entrevista que "estranha muito" as críticas ao fundo soberano, afirmando que a carteira foi criada justamente para ser usada neste momento de menor crescimento.

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