Dilma defende coalizão em posse de ministros

Na cerimônia de posse dos novos ministros da Agricultura, da Aviação Civil e do Trabalho - dois do PMDB e um do PDT -, a presidente Dilma Rousseff fez uma forte defesa da coalizão dos partidos para garantir a governabilidade e cobrou lealdade da base, em recado indireto ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). As declarações também serviram de resposta a críticas da oposição, de que as mudanças levaram em conta apenas a campanha à reeleição de 2014.

TÂNIA MONTEIRO, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h08

Em uma incomum solenidade ocorrida em um sábado no Palácio do Planalto, Dilma deu posse aos peemedebistas Antônio Andrade (Agricultura) e Moreira Franco (que troca a Secretaria de Assuntos Estratégicos pela de Aviação Civil) e a Manoel Dias, do PDT, no Trabalho. Eles substituem, pela ordem, ao deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), ao servidor de carreira Wagner Bittencourt e ao também parlamentar Brizola Neto (PDT-RJ).

A posse dos ministros foi adiantada porque Dilma embarca hoje à noite para a Itália, onde participa da primeira missa oficial do novo papa, na terça-feira.

"Muitas vezes algumas pessoas acreditam que a coalizão é algo do ponto de vista político incorreto", afirmou a presidente. "Nós estamos assistindo em alguns lugares do mundo a um processo de deterioração da governabilidade justamente pela incapacidade de construir coalizões."

Depois de citar problemas políticos enfrentados pela Itália e pelos Estados Unidos, Dilma afirmou que "é crucial" para o Brasil ter um governo de coalizão. "Aprendi que em uma coalizão você tem de valorizar as pessoas que contigo estão."

Lealdade. Em recado indireto a Campos, que ensaia uma candidatura ao Planalto, Dilma elogiou os que a apoiam e falou de lealdade. "Governar, necessariamente, é escolher entre várias alternativas, e por isso aprendi muito sobre o valor da lealdade entre aqueles que desenvolvem com a gente a tarefa de governar", disse. "Não acredito que este país possa ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão e agradeço ter tido pessoas que compartilharam este processo comigo e que agora se separam de nós, do governo, mas não separam do projeto nem da trajetória de grupo."

Em encontro com empresários paulistas na quinta-feira, Campos, que foi ministro do governo Lula e apoiou a eleição de Dilma, fez críticas ao atual "pacto político". Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governador disse que "dá para fazer muito mais" pelo País.

No discuso de ontem, ao se referir aos ministros que deixavam o governo, Dilma elogiou "pessoas que muitas vezes abriram mão de interesses pessoais e até de interesses políticos em defesa dos direitos dos brasileiros, pela concretização de suas esperanças e de um projeto que acreditam de forma substantiva". Ao se despedir de Mendes Ribeiro, a quem chamou de "Mendezinho", provocou emoção entre os presentes quando recomendou que ele cuidasse da saúde - o ex-ministro está em tratamento contra um câncer.

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