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Dilma dá posse à Comissão da Verdade na 4ª-feira

Entre os 7 escolhidos estão sua ex-advogada na ditadura militar, ex-ministro do governo FHC e ex-procurador-geral da República

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff concluiu ontem a escolha dos sete nomes para compor a Comissão da Verdade. O anúncio foi feito no início da noite pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann. Os escolhidos são: José Carlos Dias, Gilson Dipp, Rosa Maria Cardoso da Cunha, Cláudio Fonteles, Paulo Sérgio Pinheiro, Maria Rita Kehl e José Paulo Cavalcanti Filho.

De acordo com o porta-voz, os nomes devem ser publicados hoje pelo Diário Oficial da União. A posse está prevista para quarta-feira, em cerimônia que deve contar com as presenças dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

"Todos já confirmaram presença, numa demonstração de que essa comissão não é de governo, é de Estado", disse Traumann. De acordo com o porta-voz, o convite foi feito pessoalmente a cada um dos integrantes durante o dia de ontem.

A Comissão da Verdade, destinada a esclarecer casos de violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, foi criada em novembro. Para começar a funcionar, depende da nomeação dos integrantes. Eles terão um prazo de dois anos para realizar o trabalho e apresentar um relatório.

Não está estabelecido como será o rito de funcionamento da comissão. Cada integrante da comissão receberá um salário mensal de R$ 11.179,36.

Desde a sanção da lei, a escolha dos nomes foi cercada de cuidados por parte do governo. Na área militar, há grupos resistentes à própria criação da Comissão da Verdade, temendo "revanchismo" e vendo no trabalho uma tática para rever a Lei da Anistia, aprovada em 1979. Organizações ligadas aos direitos humanos, por sua vez, fazem pressão para que o trabalho do colegiado revele nomes de integrantes da ditadura militar que praticaram tortura.

Em seu discurso, ao sancionar a lei, o presidente afirmou que a comissão da Verdade consolida o processo democrático e salientou que "o silêncio e o esquecimento são sempre uma grande ameaça".

"Não podemos deixar que no Brasil a verdade se corrompa com o silêncio", disse Dilma, em novembro. "A verdade interessa muito, às novas gerações, que tiveram a oportunidade de nascer e viver sob regime democrático. Interessa, sobretudo, aos jovens que hoje têm o direito à liberdade e devem saber que essa liberdade é preciosa e que, muitos, por ela lutaram e pereceram."

Favorito. Entre os sete nomes escolhidos por Dilma, o de Paulo Sérgio Pinheiro surge como favorito para presidir a Comissão da Verdade. O sociólogo tem bom trânsito tanto entre petistas como tucanos, já atuou em colegiados semelhantes em outros países e sua indicação era dada como certa desde a sanção da lei.

A advogada Rosa Maria da Cunha foi a defensora de Dilma e de seu ex-marido, Carlos Araújo, quando os dois foram presos pela ditadura militar, nos anos 70.

Outro advogado que defendeu opositores do regime militar é o ex-ministro José Carlos Dias. Dilma escolheu ainda o ministro do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedor nacional de Justiça Gilson Dipp, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, a psicanalista Maria Rita Kehl e o advogado e escritor José Paulo Cavalcanti Filho. / COLABOROU ROLDÃO ARRUDA

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