Dilma critica sugestão de secretário da Fazenda para que brasileiro troque carne por ovo e frango

Dilma critica sugestão de secretário da Fazenda para que brasileiro troque carne por ovo e frango

Candidata à reeleição pelo PT classifica frase de ' extremamente infeliz' e diz que jamais daria esse conselho a alguém

Tânia Monteiro e Ricardo Della Colleta, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 19h54

Brasília - A presidente Dilma Rousseff desautorizou nesta segunda-feira, 13, o seu secretário de Política Econômica, Marcio Holland, que, em entrevista na semana passada, sugeriu que a população deixasse de comer carne e passasse a consumir frango e ovo, por causa do alto preço do produto, influenciado pela inflação. "Acho errada a afirmação do secretário de Política Econômica. Mais do que errada, acho infeliz", afirmou a presidente, em entrevista, no Palácio da Alvorada, rechaçando que esta afirmação possa trazer prejuízos ao debate em sua campanha à reeleição, sobre inflação. "Não acho isso (que possa trazer prejuízos à campanha). Acho apenas uma frase extremamente infeliz. Só isso", emendou ela.


Para a presidente, o alto preço da carne, neste momento, é "conjuntural". E emendou: "Nós já tivemos momentos em que a carne estava baratíssima". Segundo Dilma, "o fato é que o que garante que o brasileiro vai poder comer proteína, carne, frango e ovo, é que nós aumentamos o emprego e eles sempre desempregaram".

Dilma disse ainda que "jamais" daria este conselho para alguém. "Porque eu acho que as pessoas têm o direito de comer carne, comer ovo e comer frango". E em seguida, saiu em defesa da sua política econômica. "E acho mais ainda, uma das grandes vitórias do meu governo e do presidente Lula foi tirar o Brasil do mapa da fome, segundo, colocar a carne, o ovo e as proteínas em geral na mesa do brasileiro." Na sua opinião, "a frase é infeliz porque não reflete aquilo que nós fizemos no País". Segundo Dilma, a frase é desproporcional, seja pela trajetória política, seja pelas convicções".

A presidente se negou ainda, na entrevista a dizer que medidas pretende tomar para combater a inflação. "Eu quero saber quais são as ideias de alguém sobre inflação. Imagina se alguém vai colocar isso em pauta", ironizou Dilma, esquivando-se a comentar. "Ninguém fala sobre isso. Eu não falo sobre isso desta forma", avisou ela, lembrando que como "continua presidenta do Brasil", não pode falar sobre "certas coisas".

"Tem muita demagogia em eleição", observou a presidente, comparando que a imprensa tem sido muito "compreensiva com a crise de abastecimento de água em São Paulo". Em seguida, lembrou que os dois choques que tivemos nas áreas de alimento e energia, que não levou à falta de nenhum dos dois, acabaram colaborando com a inflação, porque elevaram os preços de ambos. "Às vezes acham que somos mágicos. Não tem como fazer a mágica de impedir que haja seca. A mágica pra gente fazer é outra: havendo seca, tem racionamento? Não. Mas teve aumento no preço da energia, não posso negar. Havendo seca, afeta o preço dos alimentos em qualquer lugar do mundo", declarou, Para a presidente, este "choque de oferta", "que é temporário e passa" e "em seguida volta novamente a ser estável". E completou: "portanto, não há mágica a fazer. Nós teremos uma política duríssima contra a inflação, como tivemos e como vamos ter ainda mais. Agora, querer que o governo tenha como impedir que, em alguns momentos, tenha flutuação de preços, nós não podemos e não temos como fazê-lo". 

Questionada se descartava fazer controle de preço, a presidente desabafou: "Nós não faremos jamais controle de preços". Dilma não respondeu, no entanto, sobre a política de controle de preços em produtos como gasolina e da energia elétrica.

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