Dilma critica política de energia da gestão FHC

Em Sergipe, discurso da presidente lembra fala na TV; Lobão ataca 'arautos da desgraça'

RAFAEL MORAES MOURA, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2013 | 02h03

ARACAJU - Incorporada no papel de candidata à reeleição e intensificando a presença no Nordeste, a presidente Dilma Rousseff criticou nessa terça-feira, 29, o governo Fernando Henrique Cardoso em discurso durante inauguração de um parque eólico em Barra dos Coqueiros, na região metropolitana de Aracaju, Sergipe.

Ao comentar o cenário do setor elétrico, alvo da mais recente briga com os tucanos, Dilma disse que as empresas estatais estavam proibidas de investir durante a gestão do PSDB (1995-2002) porque a "ideia era privatizá-las".

"Ao mesmo tempo, o setor privado não sabia e não tinha garantias de estabilidade para investir", afirmou a presidente. "Quando iniciamos o processo (de reforma no setor elétrico), a primeira coisa que fizemos foi deixar todo mundo voltar a investir."

O discurso de Dilma retomou o tom incisivo adotado na semana passada, quando anunciou a redução no valor da tarifa da energia elétrica em rede nacional de rádio e televisão. A postura combativa da presidente foi acompanhada pelas demais autoridades presentes à cerimônia - o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), garantiu que o Brasil tem "absoluta segurança energética para o seu crescimento", criticando o "tsunami de desinformação" criado pelos "arautos da desgraça". Lobão também disse que a redução da tarifa é uma "decisão que será permanente para o povo brasileiro".

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), afirmou que a palavra "apagão" perdeu o significado graças à "responsabilidade política" e "capacidade de gestão" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma.

Para o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o tom de Dilma no pronunciamento em rede nacional "foi forte porque forte foi a especulação". "Você precisava reagir à altura. Estava começando a haver gente pensando em deixar de investir por causa de falta de energia, e isso era uma mentira." Ele, no entanto, nega o tom eleitoral.

A viagem a Sergipe integra a tentativa de Dilma de reafirmar sua imagem no Nordeste - tradicional reduto do PT -, diante da crescente influência do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Até o início de março, ela deve ir a mais seis Estados da região. Carvalho disse que a presidente não vai acompanhar Lula nas caravanas que ele fará pelo Brasil. Ainda segundo o ministro, a participação de Dilma na comemoração dos dez anos de governo do PT, que está sendo preparada pela sigla, ainda não está confirmada. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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