Dilma corteja base de Alckmin na 4ª ida a SP em 20 dias

Em São Bernardo, berço do PT, presidente anuncia R$ 2,1 bi do PAC para habitação e mobilidade e entrega maquinas a prefeitos

Pedro Venceslau e Gustavo Porto -, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h04

Em sua quarta viagem ao Estado de São Paulo em menos de 20 dias, a presidente Dilma Rousseff escolheu São Bernardo do Campo, berço político do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para cortejar prefeitos da base do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no interior paulista e anunciar um investimento bilionário em obras do PAC nas cidades do ABC.

O mês de agosto não foi escolhido por acaso para a ofensiva no Estado governado desde 1995 pelos tucanos. Três fatores foram decisivos. O primeiro foi a crise política envolvendo Alckmin e o PSDB no caso Siemens. Enquanto a presidente sobe nos palanques paulistas, deputados estaduais do PT pressionam o governador na Assembleia com o apoio das bases sindicais do partido. O segundo foi o lançamento extraoficial do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como candidato do PT ao governo paulista em 2014.

Não por acaso, em todos os eventos a presidente reforça a defesa do programa Mais Médicos, que deve ser o carro-chefe da campanha eleitoral de Padilha, tanto em discursos quanto em entrevistas a rádios locais.

Foi assim também no dia 13, em Itapira, onde Dilma dividiu palanque com Alckmin e Padilha. "Em São Paulo, 309 municípios aderiram e pediram mais de 2 mil médicos.", afirmou a presidente. Apenas quatro dias antes, em evento do PT em Bauru, Lula praticamente selou Padilha como candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

O terceiro fator foi o crescimento nas pesquisas eleitorais da ex-senadora Marina Silva, que planeja disputar a Presidência, no Sudeste. A criadora do Rede Sustentabilidade foi quem mais subiu após as manifestações de rua em junho.

Exemplo. Depois de anunciar investimentos de R$ 2,1 bilhões do PAC no ABC, Dilma entregou as chaves de retroescavadeiras doadas pelo governo federal a 100 prefeitos de cidades com menos de 50 mil habitantes. Apesar da longa fila, todos tiveram seus nomes citados no microfone, puderam tirar fotos com a presidente e ter uma breve conversa com ela.

Segundo levantamento do Estadão Dados, o PSDB era o partido com mais prefeitos contemplados, com 22 governantes. A estratégia de atacar no varejo seduziu até prefeitos tucanos . "O Geraldo (Alckmin) devia fazer isso que ela fez hoje. Os prefeitos se entusiasmam. A presidente falou com todo mundo e nem gastou tanto tempo assim", admitiu José Luiz Cunha, prefeito de Lavrinha do PSDB. A cidade de pouco mais de 8 mil habitantes fica do Vale do Paraíba, reduto eleitoral do governador.

"Fiquei emocionada ao lado dela. Acredito que a Dilma vai ganhar fácil em São Paulo no ano que vem. Pretendo fazer campanha", disse a prefeita de Mombuca, Maria Ruth (PR).

O Estado já havia recebido 244 retroescavadeiras antes da centena entregue ontem. O investimento total com as máquinas foi de R$ 50 milhões. A presidente volta a São Paulo nesta semana para assinar convênios do Fundo de Investimento Estudantil (Fies), na capital.

No discurso de ontem, Dilma adotou forte tom eleitoral. Além de citar Lula mais de uma vez, ressaltou que a cidade é o berço político do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). "São Bernardo é uma cidade especial para todos os brasileiros e brasileiras, diante do simbolismo que ela representa pela luta pelas Diretas Já e pela redemocratização do País. Aqui nasceram as lutas pelos direitos sociais e direitos dos trabalhadores", disse. A presidente lembrou os aniversários da cidade, celebrado hoje, e da CUT, no próximo dia 28.

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