Dilma convida Afif e tenta aliança informal com PSD

Vice-governador de São Paulo foi escolhido para ocupar a recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que ainda precisa ser estruturada

VERA ROSA , ANDREA JUBÉ VIANNA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h12

A presidente Dilma Rousseff já convidou o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), para assumir a recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que tem status de ministério. A entrada de Afif no primeiro escalão, porém, só deverá ocorrer no fim de abril ou mesmo em maio, já que a nova pasta ainda precisa ser estruturada.

Afif assumirá o cargo na chamada "cota pessoal" de Dilma, já que o PSD do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, decidiu não integrar formalmente o governo. Mesmo assim, a tendência do PSD é apoiar a reeleição de Dilma, no ano que vem. O plano do partido é ocupar espaços na administração a partir de 2015, caso a presidente conquiste o segundo mandato.

Na quinta-feira, Dilma sancionou o projeto de lei que criou a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Trata-se do 39.º ministério, que terá impacto orçamentário de R$ 7,9 milhões por ano. A pasta contará com 66 cargos em comissão. Para comandar o ministério, o vice-governador de São Paulo não pretende renunciar, mas, sim, pedir uma licença.

"Afif deve ser uma escolha mais técnica do que política", afirmou o deputado Guilherme Campos (SP), ex-líder do PSD na Câmara. "Ele é o nome mais ligado ao tema da micro e pequena empresa no Brasil", completou Campos, ao lembrar que Afif foi presidente da Associação Comercial de São Paulo.

Kassab tem dito a correligionários que quer ver o PSD e o PT juntos no maior número possível de Estados, na eleição de 2014. Pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, o ex-prefeito sabe que é praticamente impossível o PT não ter candidato próprio à sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em conversa com aliados, porém, Kassab considerou "inteligente" a manifestação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Valor Econômico, na qual ele defendeu uma aproximação entre o PT e o PSD em São Paulo.

"Temos que manter o Kassab na aliança e o PMDB. Precisamos quebrar esse hegemonismo dos tucanos em São Paulo, porque eles juntam todo mundo contra o PT", disse Lula na entrevista.

Alianças. Por enquanto, a cúpula do PSD avalia que é possível composição com o PT em Minas, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Mato Grosso. Na Bahia, o vice-governador Otto Alencar é filiado ao PSD. Dirigentes petistas asseguram, no entanto, que não abrirão mão da cabeça de chapa no Estado.

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