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Dilma compara Brizola Neto a Jango

Em discurso de posse, novo ministro volta a reconhecer que seu PDT está dividido

RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h05

Cinco meses após a demissão de Carlos Lupi (PDT), a presidente Dilma Rousseff deu posse ontem ao novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, em cerimônia na qual foram evocados os nomes de Leonel Brizola e João Goulart. Brizola Neto assume uma pasta que foi alvo de uma série de escândalos já enfrentando resistência dentro do próprio partido - a bancada da Câmara preferia o nome do deputado Vieira da Cunha (RS).

Em discurso mais breve que de costume, de 14 minutos, a presidente exaltou João Goulart e Leonel Brizola, respectivamente tio-avô e avô do novo ministro, o mais jovem da Esplanada - tem 33 anos. "Em 1953, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas. Foi Jango quem deu à pasta do Trabalho grande peso político e grande dimensão", afirmou Dilma. "Nomear como ministro do Trabalho e Emprego Brizola Neto reforça, em meu governo, o reconhecimento da importância histórica do trabalhismo na formação do nosso País." Jango foi deposto pelos militares em 1964.

Para Dilma, o "Brasil tem memória" e respeita "seus símbolos e sabe honrar a sua história". "O trabalhismo está na memória dos brasileiros porque está gravado numa longa trajetória de conquistas: a jornada de oito horas, o salário mínimo, o direito à organização sindical, a adoção de uma legislação de proteção ao trabalhador", enumerou.

A presidente também agradeceu os serviços prestados pelo interino Paulo Roberto Pinto e até afagou Lupi, varrido da Esplanada dos Ministérios após a Comissão de Ética da Presidência da República recomendar a sua exoneração. "Agradeço ainda a contribuição do ministro Carlos Roberto Lupi na condução do Ministério do Trabalho, e o seu inequívoco compromisso em defesa dos interesses dos trabalhadores. Lupi, muito obrigada", disse Dilma, logo mudando o foco do discurso para a conjuntura econômica.

Divergências. Apesar de contar com o apoio das centrais sindicais, principalmente da Força Sindical, presidida pelo deputado pedetista Paulo Pereira da Silva (SP), Brizola Neto admitiu ontem que ainda há divergências internas no seu partido para a aceitação do seu nome.

"Ainda existem pequenas diferenças desse processo todo, que precisam ser equacionadas. Mas a verdade é que o partido hoje, em sua grande maioria, quase totalidade, está convencido do seu papel, do seu posicionamento no campo político nacional. Isso é muito maior do que pequenas divergências", afirmou. "O que tem que conduzir um partido não são preferências pessoais. O que conduz um partido é justamente os seus compromissos públicos, o seu programa partidário."

Sobre a sucessão de denúncias envolvendo a pasta, Brizola Neto disse que nenhuma das denúncias atingiram Lupi e até agora nada foi provado. "Vamos continuar todo o processo de apuração e todas as denúncias continuarão a ser investigadas e apuradas", afirmou o novo ministro.

Presente à cerimônia, Lupi disse que o tempo ajuda a aparar as arestas. "Todos os partidos têm suas naturezas, suas dificuldades internas. E a gente vai, com o tempo, curando."

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