Dilma cogita abrir diálogo com Aécio e Marina

Dilma cogita abrir diálogo com Aécio e Marina

Em entrevistas na TV, presidente eleita no último domingo não descarta conversa com adversários da campanha

Isadora Peron e Valmar Hupsel Filho , O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 21h49

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que, na sua proposta de dialogar com todos os setores da sociedade no segundo mandato, está “sem sombra de dúvidas” aberta a possibilidade de conversas com a oposição, inclusive com os ex-adversários Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), que protagonizaram com ela ferrenhas discussões durante a campanha.

“O Aécio, a Marina, eu posso chamá-los sim (para uma conversa)”, disse ela, que concedeu ontem entrevistas a duas emissoras de televisão.

Dilma foi questionada sobre o tema tanto na entrevista à TV Bandeirantes quanto ao SBT. “Convidarei todos para fazer essa conversa, o que acham melhor para o Brasil. Vou escutar muito. O dialogo é também não só com a oposição, mas as forças vivas da nação”, afirmou. Segundo a presidente, toda eleição implica numa divisão, mas com um objetivo comum que é um futuro melhor para o País. “Não acredito que alguém queira um futuro pior para o País. Só ai já temos um ponto de possível união”, justificou.

Dilma afirmou ainda que a abertura de diálogo visa promover uma discussão a respeito dos passos que serão dados para que o Brasil retome o cercamento econômico e avaliar a dimensão dos efeitos da crise internacional sobre o País. Segundo ela, a economia brasileira passa por uma situação “ainda difícil”, mas descartou a possibilidade de redução do grau de risco do Brasil. “Os investidores internacionais mantém um grau de investimentos diretos no Brasil muito expressivo. Hoje recebemos US$ 65 bilhões. Somos um dos países que mais atrai investimentos diretos”, justificou.

Como contraponto, a presidente citou que há desconfiança a respeito da robustez dos bancos europeus. “A própria Alemanha teve uma redução de 4% da sua taxa de crescimento da indústria. E olha que a Alemanha tem uma das indústrias mais sólidas do mundo.”

Assim como nas entrevistas de segunda-feira, Dilma evitou falar sobre a composição do seu novo ministério, especialmente o nome que será indicado para o da Fazenda. Apesar disso, ela voltou a afirmar que pretende anunciar a sua escolha até o final do ano.

Petrobrás. Dilma também disse que o governo não irá criar nenhum obstáculo caso o Congresso decida abrir uma nova CPI para investigar as denúncias de corrupção na Petrobrás. Ela argumentou, porém, que a investigação que está em curso na Justiça é mais importante do que qualquer outra que possa ser aberta. “Eu acho que (com essa investigação) nós temos uma oportunidade única de acabar com a impunidade. Eu quero essa investigação doa a quem doer, não deixando pedra sobre pedra”, voltou a dizer.

Crise hídrica. Ao comentar a crise de abastecimento de água em São Paulo, Dilma afirmou que o governo do Estado, comandado pelo tucano Geraldo Alckmin, deixou de fazer os investimentos necessários para evitar o racionamento. “Diversos investimentos para segurança hídrica em São Paulo não foram feitos”, disse. Segundo a presidente, em fevereiro o governo federal sugeriu que as obras fossem feitas pelo modelo emergencial, e assegurou o financiamento para que isso ocorresse, mas Alckmin teria optado pelo “processo mais tradicional, de licitação”, que demanda mais tempo.

A presidente afirmou ainda que, apesar de a responsabilidade pelo abastecimento de água ser ou do Estado ou do município, o governo federal está disposto a ajudar neste caso. “Na hora que governador de São Paulo pedir, a União estará pronta para ajudar, mas nós não podemos assumir a iniciativa.”

Questionada sobre o que faria pelos aposentados em seu segundo mandato, Dilma assegurou ter “imensa responsabilidade” com a Previdência. Segundo a presidente, 69% de todos os aposentados tiveram ganho real de salários. “Aquele tempo em que o pessoal não corrigia acima da inflação passou”, disse. / COLABORARAM DANIEL GALVÃO E CARLA ARAÚJO

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