Dilma cobra qualidade de empreiteiras

Presidente diz não entender por que construtoras 'não têm interesse' em atender faixa até 3 mínimos

TÂNIA MONTEIRO/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h07

A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem a construção de casas de qualidade para a população de menor renda - e não "muquifos". Ao receber líderes de movimentos de moradia no Palácio do Planalto, ela disse não entender por que as empreiteiras "não têm interesse" em construir habitações para quem ganha até três salários mínimos.

Durante o encontro, Dilma falou da importância do Programa Minha Casa Minha Vida e assegurou que "não faltarão recursos para o programa, particularmente para quem ganha até três mínimos" - faixa onde se detecta a maior parte do déficit habitacional brasileiro - e cobrou do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, financiamentos para este segmento.

Segundo Donizete Fernando de Oliveira, presidente da União Nacional de Moradia Popular, para ajudar na construção de casas para quem ganha até três mínimos, cujo déficit é de 4 milhões de moradias, conforme dados da Fundação João Pinheiro, o governo pretende ajudar com a concessão de terras públicas, ampliação de financiamentos e redução da burocracia.

Críticas. Dilma enfatizou, no encontro, que a sociedade civil organizada precisa estar presente para garantir a construção de casas de qualidade. "Temos de fazer habitação de qualidade e não muquifos", afirmou a presidente, de acordo com três dos presentes. Mércia Alves, da ONG Centro Dom Helder Câmara, e Nazareno Afonso, da Associação Nacional de Transportes Públicos, informaram que a presidente concorda com as críticas do Fórum Nacional de Reforma Urbana, que em documento apresentado na Rio+20 deixou em segundo plano a mobilidade urbana.

Para reforçar a crítica, a presidente citou São Paulo, afirmando que a cidade começa a ficar inviável, porque não recebeu investimentos em transporte público. O tema, já mencionado antes por líderes petistas, é um dos motes do PT na próxima campanha eleitoral. A capital paulista é administrada desde 2005 pelo PSDB ou aliados, como o prefeito Gilberto Kassab.

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