Dilma chora quando 'vale a pena ser presidente'

Em meio à crise, petista se emociona ao falar de portadores de deficiência

RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

Em meio a mais uma crise política que pode levar à queda do sétimo ministro do seu governo, a presidente Dilma Rousseff abandonou por alguns instantes a imagem de gerente durona, se emocionou e chegou até a chorar ontem, durante anúncio de pacote de ações para portadores de deficiência, em cerimônia no Palácio do Planalto.

O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa Com Deficiência prevê uma série de ações para esse público, como reserva de 5% das vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), aquisição de 2,6 mil ônibus acessíveis para alunos com deficiência, adequação arquitetônica de 42 mil escolas públicas e desoneração tributária em impostos federais sobre produtos e equipamentos de assistência, conforme o Estado antecipou ontem.

O pacote, que prevê investimentos de R$ 7,6 bilhões até 2014, era visto no Palácio do Planalto como "xodó" de Dilma e da ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil). A elaboração das estratégias mobilizou 15 pastas do governo, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.

Choro. Logo no início do discurso, ao se referir às filhas do deputado Romário (PSB-RJ) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que têm Síndrome de Down. "Queria dirigir um cumprimento especial, também, ao Romário e à menina... às duas menininhas que aqui tivemos uma cena, assim, maravilhosa e enternecedora: a filha do Romário carregando a filha do Lindbergh. Queria cumprimentar as duas", discursou Dilma. "Eu acredito que, em alguns momentos, a gente considera que eles são muito especiais, e aí, queria dizer que hoje este é um momento em que vale a pena ser presidente", continuou, com a voz embargada e limpando os olhos.

Dilma foi aplaudida e pé e depois aclamada ao coro de "Olê-olê-olê-olá-Dilma-Dilma" pela plateia - uma cena que espantou a frieza típica dos seus eventos e lembrou até as aclamações populares dos tempos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo depois, no entanto, a presidente foi interrompida por uma mulher: "Assina a lei do autista (projeto de lei que institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa autista), pelo amor de Deus!", disse. Após a pausa, Dilma continuou o discurso, sem responder à mulher. Em abril, ao comentar o episódio em que um atirador matou estudantes de uma escola em Realengo, no Rio, a presidente também chorou.

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