Dilma chora em homenagem a Lula no Rio

Ex-presidente, que se recupera de um câncer na laringe, recebeu título em evento de universidades

WILSON TOSTA , LUCIANA NUNES LEAL / RIO , O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h09

A passo lento e amparado pela ex-ministra da Secretaria Nacional das Mulheres Nilcéia Freire, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou ontem no palco do Teatro João Caetano, no Rio, para receber cinco títulos de doutor honoris causa sob aplausos, palavras de ordem e comoção.

"Lula, guerreiro do povo brasileiro", entoou a plateia de ministros, secretários de Estado, militantes do PT, professores, estudantes. Chapéu preto sobre os cabelos ralos devido ao tratamento contra o câncer na laringe, Lula chegou devagar à mesa. A bengala da véspera estava com um assessor, que o seguia. Clarinetistas tocavam a Bachiana Número 5, de Villa-Lobos. A presidente Dilma Rousseff chorou.

Foi o início de uma série de elogios a Lula, comandada pelos reitores de quatro universidades federais do Rio (UFRJ, Fluminense, Uni-Rio e Rural) e da Estadual (Uerj). Todos exaltaram sua política educacional. "Campeão de utopias realizadas", "doutor da causa da humanidade" foram expressões usadas no evento em que Lula recebeu diplomas e trajou as "vestes talares": a samarra, espécie de toga, e o capelo, chapéu com franjas. Vermelhos, cor-símbolo das ciências humanas.

"Não é possível viver sem esperança, e quero lhe agradecer por isso", afirmou, dirigindo-se ao ex-presidente, o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves. Dilma não discursou, mas, ao lado de Lula, enxugou lágrimas e puxou palmas.

Emocionado, Lula desculpou-se por falar sentado e não discursar de improviso e declarou-se honrado. "Vocês não imaginam o que significa para alguém como eu, que não teve as oportunidades escolares que todo jovem deveria ter, mas que sempre acreditou no potencial libertador do conhecimento, tornar-se doutor honoris causa."

Diferentemente da véspera, quando se manteve no texto preparado, Lula arriscou alguns "cacos" no discurso de 20 minutos. Disse que, nos quase 40 anos ao longo dos quais tem visitado o Rio, nunca o chamaram para ir à praia, e, ao falar do Plano Nacional de Educação, brincou com o ex-deputado Antônio Pitanga. "Até você vai poder voltar para a escola com o plano nacional de educação", disse, provocando risos.

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