Dilma cancela reunião com PT e recebe avalanche de críticas de correligionários

Ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu qualificou de ‘inaceitável’ o comportamento da presidente

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h13

Prontos para receber hoje a presidente Dilma Rousseff e dar uma demonstração de unidade num momento tenso de queda de popularidade e fragilidade política, dirigentes do partido foram surpreendidos com a desistência da petista de comparecer à reunião do Diretório Nacional. A presidente foi alvo de fortes críticas de integrantes da corrente majoritária do PT que, a portas fechadas, ontem, acusaram Dilma de se distanciar de uma crise na qual está no epicentro.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu qualificou de "inaceitável" o comportamento de Dilma e recebeu apoio de seus pares. Dirceu afirmou que Dilma "faz parte da crise" política atual, mas age como se estivesse fora dela. Os mais próximos de Luiz Inácio Lula da Silva interpretaram a ausência de Dilma como um sinal de retaliação ao ex-presidente. Chegaram a dizer que ela passa a imagem de que está em rota de colisão com o seu próprio partido.

O Estado apurou que Dilma não gostou da reunião promovida por Lula, na segunda-feira, com petistas. Foi Lula que bancou a indicação do deputado Cândido Vaccarezza (SP) para coordenar a comissão da reforma política, contrariando a presidente, que preferia Henrique Fontana (RS). Vaccarezza desafia Dilma ao dizer que o plebiscito para a reforma política não sai neste ano. O Diretório Nacional do PT soltará hoje uma nota desautorizando o deputado para destacar que o partido continuará defendendo o plebiscito. Ontem, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), também soltou nota em que põe em xeque a legitimidade de Vaccarezza (veja ao lado).

Uma das críticas generalizadas do PT é sobre a relação de Dilma com o Congresso, com o próprio partido e com os aliados. O assunto será abordado hoje pela cúpula petista, que avaliará o impacto político das últimas manifestações no País. Os protestos, que provocaram a queda da avaliação positiva do governo Dilma e deram ânimo ao coro do "Volta, Lula", expuseram ainda mais a crise da articulação política do governo.

Dilma desmarcou o compromisso no PT na última hora, sob a alegação de que precisou agendar uma reunião com ministros no Palácio da Alvorada, hoje, para discutir o esquema de segurança da visita do papa Francisco ao Rio, na próxima semana.

Embora auxiliares da presidente tenham informado ontem que ela nunca confirmou presença no encontro do PT, o presidente do partido, Rui Falcão, tinha anunciado a decisão de Dilma. Até uma equipe "precursora" do Planalto se deslocou à sede do partido em Brasília, na quinta-feira, para vistoriar o local. Os seguranças só fazem esse trabalho quando ela planeja ir a algum evento. Foi o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, quem avisou Rui Falcão sobre a desistência de Dilma. "Quero falar com ela", disse Falcão. Ele conversou com a presidente por telefone, mas não conseguiu convencê-la a mudar de ideia.

O ex-ministro Luiz Dulci, hoje assessor de Lula, propôs que fossem feitos apelos pela presença de Dilma hoje na reunião do PT. "Dilma nunca ouve ninguém", reagiu um parlamentar.

O coordenador da corrente CNB, Francisco Rocha, chorou ao falar sobre o distanciamento de Dilma, mas disse que era necessário ter "cabeça fria" para enfrentar as dificuldades. Com maioria no diretório, a CNB é a corrente de Lula e também de Dirceu, de José Genoino e João Paulo Cunha. Os três foram condenados pelo STF no processo do mensalão e, pela primeira vez, tiveram os nomes excluídos da chapa que concorrerá ao Diretório Nacional.

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