Dilma aumenta contato com empresários

Em 14 dias, presidente tem mais audiências em seu gabinete que nos quatro meses finais de 2012, quando críticas ao governo cresceram

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h04

Após críticas de que o governo age de maneira isolada e não abre diálogo com setores da sociedade, a presidente Dilma Rousseff resolveu mudar a agenda e receber no Palácio do Planalto representantes do empresariado, que haviam recorrido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reclamar da dificuldade de acesso à petista.

Em janeiro, a presidente recebeu mais empresários em seu gabinete do que nos quatro meses finais de 2012, quando as críticas ao governo aumentaram. Entre os dias 10 e 23 deste mês, depois que voltou das férias de fim de ano, Dilma manteve audiências com 11 empresários.

Nos últimos quatro meses do ano passado, apenas sete representantes do setor produtivo e financeiro foram recebidos pela presidente em seu gabinete. Em todo o segundo semestre, foram chamados para os encontros com Dilma apenas 13 presidentes ou diretores de empresas.

Em dezembro, por exemplo, Dilma não recebeu nenhum empresário, segundo a agenda oficial divulgada pelo Planalto. Em setembro e julho, fez reuniões com apenas dois representantes do empresariado - um por mês.

A presidente ampliou espaço para executivos de empresas após Lula verbalizar críticas de empresários que tinham trânsito livre no Planalto em seu governo, no encontro com Dilma em Paris, em dezembro.

Lula, que intensificou a sua agenda política nas últimas semanas, despertando a desconfiança de petistas e adversários sobre uma eventual entrada na disputa pela Presidência em 2014, manifestou preocupação com o isolamento do governo e a centralização das decisões. Para o ex-presidente, o terceiro ano de governo Dilma é determinante para pavimentar o caminho à reeleição e para o bom desempenho do PT nas urnas.

Apesar da pouca frequência com que recebe os empresários, há nomes mais frequentes na agenda de Dilma: Jorge Gerdau, presidente do Grupo Gerdau, e Murilo Ferreira, presidente da Vale, foram recebidos duas vezes nas reuniões privadas nos últimos quatro meses.

Termômetro. A agenda de 2013 já estreou com mais espaço para empresários. No primeiro dia de trabalho, 10 de janeiro, Dilma reuniu-se com três executivos, dos setores de energia e infraestrutura. Repetiu a dose no dia seguinte, quando esteve com outros três.

Os contatos com o empresariado servem como termômetro do setor produtivo, que expõe a expectativa de investimentos e de contratações. Ajudam na formulação de políticas. Mas não é só isso. Os empresários que estiveram no Palácio do Planalto representam empresas que são tradicionais doadoras de campanha.

Outra mudança que Dilma fará na agenda é ampliar viagens pelo País. Fará neste mês um giro pelo Nordeste, região em que o PT perdeu capitais importantes na eleição de 2012 e que está sob forte influência do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), cotado para disputar o Planalto. Neste ano pré-eleitoral, Dilma também receberá em seu gabinete mais políticos.

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