Dilma assina acordos mais favoráveis à Venezuela que ao Brasil

Presidente faz como Lula e atua como benfeitor regional, oferecendo apoio e tecnologia em troca de negócios futuros

CARACAS, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2011 | 03h02

Em sua primeira visita à Venezuela, a presidente Dilma Rousseff manteve o script brasileiro de benfeitor regional. A reunião de quase cinco horas entre os presidentes Hugo Chávez e Dilma Rousseff terminou em 11 acordos, protocolos de intenção e memorandos.

Na maioria deles, o governo brasileiro dá apoio técnico, desenvolve projetos, transfere tecnologias. Em troca, apenas promessas de negócios futuros e um contrato entre a construtora brasileira Odebrecht e a Corporação Venezuelana de Petróleo (CVP) para a criação de uma empresa mista para exploração nos campos Mara Oeste, Mara Este e La Paz.

Entre os acordos assinados, o Brasil se comprometeu a ajudar a Venezuela em um projeto de transformação de favelas. Também dará apoio técnico e bancário para que o país maneje melhor os recursos do projeto Gran Misión Viviendas - o Minha Casa, Minha Vida venezuelano - e fará intercâmbio para repasse de informações para controle e combate a fraudes bancárias.

Bolívia. Roteiro parecido foi seguido na primeira reunião bilateral entre Dilma e Evo Morales, presidente da Bolívia. A própria presidente revelou que, no encontro, o Brasil deixou clara a importância que dá à relação com La Paz e "e se dispôs a auxiliar em tudo o que for necessário, especialmente na área de energia".

Evo pediu apoio ao governo brasileiro para a instalação de pequenas usinas termelétricas mistas de gás e óleo diesel, para uso emergencial. "Como eles cresceram muito, estão com um fornecimento de energia muito justo, muito apertado. Eles precisam ter uma espécie de alternativa", explicou Dilma.

Também serão desenvolvidos estudos para uma fábrica de cartões magnéticos, intercâmbios na área de engenharia espacial, transferência de tecnologia para televisão digital e assessoria para planos de desenvolvimento agrícola na região do Rio Orinoco.

Argentina. Apenas com a presidente Cristina Kirchner a conversa foi outra. Na reunião de ontem, as duas presidentes trataram de formas de "blindar" as duas economias contra a crise econômica. "Não vou falar blindar Brasil e Argentina, mas vou dizer fortalecer Brasil e Argentina nesta próxima década. Eu não vou dizer que é uma década de alta estagnação, mas de baixo crescimento, sem dúvida", disse Dilma. / L.P.

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