Dilma aparece com aliado de Arruda em material do DF

Candidata à reeleição está em adesivos e santinhos com Jofran Frejat (PR), que assumiu a vaga deixada pelo ex-governador, cuja candidatura foi suspensa por causa do Ficha Limpa

Ricardo Della Coletta , O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 19h24

Brasília - Sem palanque no Distrito Federal, onde o atual governador Agnelo Queiroz (PT) sequer passou para o segundo turno, o comitê pela reeleição da presidente Dilma Rousseff produziu material gráfico em que ela aparece ao lado de Jofran Frejat, candidato do PR ao governo local e aliado do ex-governador José Roberto Arruda, acusado de envolvimento num esquema de compra de apoio político conhecido como mensalão do DEM.

A campanha de Dilma mandou imprimir 1 milhão de adesivos e 2 milhões de santinhos nos quais Dilma e Frejat estão lado a lado. As peças estão sendo distribuídas no DF e trazem o CNPJ da campanha de Dilma. Frejat, no entanto, já declarou que vota no candidato do PSDB, senador Aécio Neves.

Presidente do diretório do PT no Distrito Federal, o deputado Roberto Policarpo disse que a produção do material foi pedido por um grupo de apoiadores de Frejat. "Se tem um grupo que está apoiando o candidato, que em tese apoiaria o Aécio, ajuda", afirmou.

Em uma eleição presidencial disputada, Dilma tenta recuperar algum terreno no Distrito Federal, onde alcançou apenas 23% dos votos válidos. Na última pesquisa Ibope encomendada pela TV Globo, Aécio Neves marcou 61% dos votos válidos, enquanto 39% declararam preferir a petista.

Frejat assumiu a cabeça de chapa da candidatura do PR em setembro, depois que Arruda foi barrado como "ficha suja" pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e desistiu de concorrer. O ex-governador, que até renunciar à candidatura liderava as sondagens eleitorais no DF, colocou sua mulher, Flávia, como vice de Frejat.

Mesmo fora da eleição, Arruda é figura constante na campanha de Frejat e atua como seu principal puxador de votos. Em 2010, Arruda se tornou o primeiro governador preso no exercício do cargo no País. Ele foi detido por suspeita de tentativa de suborno de uma testemunha do esquema de corrupção na capital do País. Na véspera de ser expulso do DEM, ele deixou o partido e posteriormente foi cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária.

Quando saiu candidato, Arruda se disse vítima de um "golpe do PT" e alegou que seu governo (2006-10) foi "criminosamente interrompido". Procurada pelo Broadcast Político, a campanha de Jofran Frejat disse que o material foi feito pelo comitê de Dilma "em represália" ao candidato do PSB Rodrigo Rollemberg. Na liderança nas pesquisas de intenção de voto, Rollemberg também declarou apoio a Aécio Neves.

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