Dilma anuncia fim da pobreza extrema e PT vê reeleição 'sem pedras no caminho'

2014. Ao anunciar que 22 milhões de brasileiros deixam a pobreza extrema, bandeira da campanha em 2010, presidente dá largada à sua reeleição num momento em que possíveis adversários, como Marina Silva e Eduardo Campos, se projetam no cenário nacional

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h06

Depois de passar as últimas semanas assistindo à movimentação de possíveis adversários em 2014, a presidente Dilma Rousseff deu ontem a largada à campanha por sua reeleição. Em solenidade cuidadosamente planejada na véspera do ato político para comemorar, hoje, os 10 anos do PT à frente do governo federal, Dilma anunciou que 22 milhões de brasileiros deixaram a situação de extrema pobreza desde que seu governo lançou o programa Brasil Sem Miséria.

"Falta muito pouco para a superação da pobreza extrema", afirmou a presidente. Com esse intuito, o governo também anunciou que vai complementar a renda de 2,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família. A erradicação da pobreza extrema foi uma das principais promessas da campanha de Dilma e deve embalar o projeto de reeleição.

A concorrida cerimônia, com o slogan "O fim da miséria é só um começo", de autoria do marqueteiro João Santana, contou com a presença de pelo menos 13 ministros e dez governadores, além de inúmeros parlamentares e presidentes de partidos. Santana fez a campanha vitoriosa de Dilma em 2010 e também a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Dilma colou sua agenda à do PT e criticou antecessores, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sem citá-los nominalmente.

O presidente do PT, Rui Falcão, aproveitou a festa para dizer que Dilma "tem tudo para ser reeleita". Ele minimizou as possíveis candidaturas presidenciais do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) - hoje na base aliada - e também da ex-senadora Marina Silva, fundadora de um novo partido, intitulado "Rede Sustentabilidade". "O governo não tem pedras no caminho", enfatizou Falcão.

Criador. Em seu discurso, Dilma citou pelo menos quatro vezes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu legado e criticou a gestão tucana na área social. "Nós começamos em 2003, no governo do presidente Lula, quando unificamos programas sociais precários que até então existiam", disse Dilma.

"Um País só pode retirar 36 milhões de pessoas da miséria com um programa como o Bolsa Família, quando além de ter a sensibilidade para a dor dos mais pobres possui também capacidade técnica, qualidade de gestão, honestidade moral e coragem política para realizar um feito dessa magnitude", gabou-se.

Depois de ressaltar que "o Brasil vira uma página decisiva na longa história de exclusão social" com esta nova etapa do programa Brasil Sem Miséria, que permitirá ao governo retirar mais 22 milhões de pessoas da miséria, a presidente classificou o seu projeto como o plano social "mais focado, mais amplo e mais moderno do mundo". "A tecnologia social mais avançada do mundo", acrescentou.

Na tentativa de rebater as críticas dos adversários, que acusam o governo Dilma de "propaganda enganosa", a presidente antecipou a resposta: "Não estamos dizendo que não haja mais brasileiros extremamente pobres. O que estamos garantindo é que o mais difícil já foi feito. Dito em outras palavras: por não termos abandonando o nosso povo, a miséria está nos abandonando".

A presidente enfatizou que o modelo de desenvolvimento construído no Brasil desafia a "lógica simplista, o disse me disse da política pequena". O modelo, segundo ela, seria incompreendido pelos "conservadores". "É por isso que as correntes do pensamento conservador, aquelas mesmas correntes que quase empurram o mundo para o abismo da crise, insistem em não entender o Brasil e a originalidade do nosso modelo."

Camponesas. No fim da tarde, Dilma reuniu-se com mulheres camponesas, no Parque da Cidade, e foi bastante aplaudida. A cerimônia transformou-se em mais um palanque eleitoral.

"Quando tomei posse como primeira mulher presidente, disse que um dos meus compromissos era honrar as mulheres. Porque honrar as mulheres do meu País é a forma que eu tenho de expressar que eu devo às mulheres camponesas, trabalhadoras, que eu devo às mulheres desse Brasil inteiro (...) Estou aqui não por um milagre (...) Estou aqui porque milhões de brasileiras, de mulheres que lutaram nesse País, construíram a possibilidade de eu estar aqui. Eu estou aqui porque vocês estão aí."

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