Dilma alfineta Aécio: 'Eu nunca virei vice da CEF aos 25 anos'

Candidata petista ao Planalto criticou o aparelhamento da máquina pública ao citar a nomeação do adversário ao banco em 1985

Valmar Hupsel Filho, enviado especial a Contagem (MG), O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 13h47

Em visita a Minas Gerais, terra de Aécio Neves (PSDB), a presidente Dilma Rousseff (PT) provocou o adversário questionando sua capacidade para ocupar cargos que ocupou no início da carreira política. "Eu nunca virei vice-presidente da Caixa Econômica Federal aos 25 anos. Todos os cargos que ocupei foram pelos meus méritos e não por indicação", disse ela em evento político na região metropolitana de Belo Horizonte, diante de um discreto sorriso do governador eleito Fernando Pimentel (PT). 


Aécio foi nomeado vice-presidente da Caixa em maio de 1985 pelo então presidente José Sarney, que herdou a presidência da República de Tancredo Neves, avô do hoje candidato tucano. 


Ao citar o episódio, Dilma falava sobre aparelhamento da máquina pública e havia dito que, durante governos tucanos, o diretor-geral da Polícia Federal era um filiado ao PSDB. "Não há maior aparelhamento da máquina do que colocar na direção-geral da Polícia Federal um filiado a partido político", disse. 


A presidente defendeu ainda a divulgação total e irrestrita das investigações sobre desvios de dinheiro na Petrobrás. "Para se divulgar, divulga-se tudo", disse. "Quero saber todos os envolvidos e não vazamentos seletivos", completou, argumentando que a divulgação seletiva durante a campanha eleitoral tem intenções eleitoreiras. 


Para Dilma, as provas e denuncias no bojo da Operação Lava Jato "não estão sendo encaminhadas direito nessa fase". Ela afirmou que já solicitou acesso a o que foi dito pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Yousseff, nas delações premiadas para poder tomar providências. Segundo ela, o presidente da República tem dever constitucional de apurar e só punir quando tiver provas.


Dilma visitou o município de Contagem, um dos maiores colégios eleitorais de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte. No final da manhã, ela desfilou em carro aberto pelo comércio da cidade ao lado de Pimentel e do prefeito Carlin Moura (PcdoB). Em seguida participou de um ato para a militância em um hotel da cidade. No encontro, ela recebeu manifesto de apoio de militantes PSB/Rede, a dissidência do PMDB que apoiou Tarcísio Delgado, além de PRTB e PPL. 


No primeiro turno, Dilma foi a candidata mais votada em Minas com 43,45% contra 39,75% para Aécio. A petista venceu na maior parte do estado, mas o tucano levou a melhor nas regiões mais populosas.

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