Dilma afirma que ex-ministra segue modelo ‘neoliberal’

Na Bahia, presidente rebate tese propagada por assessores de Marina de que País precisa passar por um ‘ajuste fiscal grande’

Tiago Décimo , ENVIADO ESPECIAL

25 de setembro de 2014 | 22h16

FEIRA DE SANTANA (BA) - A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) rebateu, na manhã desta quinta-feira, 25, a tese de que o Brasil precisará passar por um “ajuste fiscal grande” para reequilibrar as contas públicas, defendida por integrantes do grupo que assessora a candidata Marina Silva (PSB). De acordo com Dilma, a proposta de “choque fiscal” na economia brasileira é “perigosa e extremamente eleitoreira” e sua adversária apresenta um “modelo de política econômica extremamente conservador e neoliberal”.

“Nós não acreditamos em choque fiscal, isso é uma forma incorreta de tratar a questão fiscal no Brasil”, disse a presidente, pouco antes de participar de uma caminhada em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, a 110 quilômetros de Salvador. “O Brasil precisa de uma política fiscal sistemática e robusta. Choque fiscal é um baita ajuste no qual se corta tudo para pagar juros para bancos? Se você vai ampliar alguns mecanismos, tem de explicar: vai cortar o que? Vai cortar programa social? Vai cortar o Bolsa Família? Vai cortar os subsídios para o Minha Casa, Minha Vida?”, questionou Dilma.

Na quarta-feira, 24, o economista Alexandre Rands, um dos principais assessores da área econômica da campanha de Marina, afirmou que o próximo governo terá que enfrentar um baixo crescimento econômico por conta da necessidade de se fazer um “ajuste fiscal grande”. Segundo o economista, a partir de 2016, feito o ajuste fiscal, o Brasil poderia voltar a crescer a taxas “razoáveis”. Ainda na avaliação de Rands, além do ajuste fiscal forte, o próximo governo terá que reajustar preços de gasolina e energia, atualmente represados pelo governo federal.

Para Dilma, “não é necessário um ajuste fiscal profundo” no País. “O Brasil tem uma das menores dívidas líquidas sobre o PIB, de 34%, enquanto todo o resto do mundo, tirando uns seis países, tem dívidas líquidas perto ou acima de 100%”, justificou. “O Brasil não está desequilibrado, não tem crise cambial. O Brasil passa, como o resto do mundo, por um processo de crise, que nós não combatemos como eles. Nós combatemos (a crise) garantindo empregos, garantindo salários. Ficar falando em choque fiscal é uma manobra perigosa e extremamente eleitoreira”, afirmou.

A presidente aproveitou para criticar as propostas macroeconômicas do programa de governo de Marina e para alfinetar seus assessores. “O grande problema da candidata (Marina) é que um dia eles (integrantes de sua campanha) dizem uma coisa, outro dia dizem outra”, ironizou. “Mas ela apresenta um modelo de política econômica extremamente conservador e neoliberal. Ela pretende atender prioritariamente aos bancos, como deixou claro no programa dela, sobre a independência do Banco Central. No Brasil, independentes só são os Poderes da República, Legislativo, Executivo e Judiciário. Ela já falou em flexibilizar salários, em reduzir o papel dos bancos públicos. Se reduz o papel dos bancos públicos, não tem Minha Casa, Minha Vida, não tem programa de Agricultura Familiar, não tem programa de incentivo à indústria, não tem emprego.”

Denúncias. Dilma também comentou as recentes denúncias sobre supostos desvios de verbas públicas, dirigidas à construção de casas populares na Bahia, para financiar campanhas do PT no Estado. “Tenho uma posição claríssima sobre denúncias: denúncias são feitas para ser investigadas, apuradas, e os responsáveis, presos e condenados”, disse. “Amanhã (sexta-feira), vou divulgar um programa sobre a impunidade. O que dá respaldo à corrupção é a impunidade. Agora, as pessoas têm de ter direito à defesa. Antes de condenar, é fundamental que se saiba quais são as provas.”

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